O que acharam do novo ep da banda? Pessoalmente, é um grande regresso depois de dois albuns menos conseguidos e um pouco dispensos na sua essência. A cover From Whom the Bell Tolls é das melhores covers que já ouvi, e as regravações dos temas antigos estão suberbas. A música que nome ao album está ao estilo daquilo que os Moonsorrow sempre apresentaram.
Comecei a ouvir a primeira faixa há bocado, a sair de Setúbal... quando cheguei a casa, largas dezenas de quilómetros depois, estava mesmo a acabar e a começar a cover de Metallica.
Para já, sendo que só ouvi a primeira faixa - mas que também é logo metade do tamanho do EP - parece-me ter a qualidade a que eles nos vêm habituando, mas com o mesmo problema do álbum anterior, que é às vezes apetecer-nos um certo ponto alto do trabalho que, noutros álbuns, seria uma das faixas, mas nestes casos ter de andar a escavar uma faixa inteira de 30 minutos à procura do que se quer ouvir...
Estou a ouvir a cover de Metallica agora, e surgem-me três palavras na cabeça: Low, Budget e Nemtheanga. Conseguiram uma cover com alguns pontos altos, mas que deixa um bocado a desejar em relação às potencialidades da música. A de Merciless, que já ouvi entretanto também, está muitíssimo melhor.
Eu pelo contrário, acho que a musica, estando muito boa, está um par de furos abaixo dos dois últimos albums. Para mim, Moonsorrow define-se muito mais com o folk Sóbrio e épico do Verisakëet e do Havitetty (ambos albums extremamente ambiciosos, no melhor sentido da palavra), do que com as vikinguices antecedentes. Se quisesse meros clones de Bathory, já tenho Morrigan e Falkenbach, muito obrigado.
Não consigo mesmo entender os fundamentos para afirmar que esses albuns eram dispersos na sua essência. Se há coisa que Moonsorrow têm revelado, e este EP não é excepção, é a sua mestria e foco na composição. Musicas de 15 a 30 minutos são extremamente difíceis de fazer sem se tornar uma amálgama de riffs sem nexo, e para crédito de Moonsorrow, tudo o que eles têm feito, especialmente recentemente, tem sido um exemplo perfeito de como fazer uma composição fluir. A forma como as transições são feitas, a fluência, as ligações "lógicas" entre uma parte e outra, a exploração inteligente de certas frases musicais têm sido uma constante na musica deles, e de uma mestria digna de composições clássicas, ao contrário de tantas outras bandas que pecam pelos riffs metidos a martelo. A beleza desta abordagem de Moonsorrow (e também aquilo que os torna difíceis de ouvir) é que cada música (como diz ali o gornas) tem sem dúvida pontos altos individuais, mas são pontos altos que quase que precisam de ser ouvidos no meio do contexto geral da música, e das suas transições. Cada música é como um filme, e um filme bem contado e editado, com um princípio, meio e fim, e que vive do todo mais que das partes individuais. As divergências poderão ser mais quanto à qualidade da história, não à sua realização. Neste caso, a interligação de cada um dos temas, na forma de respirar de cada melodia continua tão bem feita como sempre, mas a história captivou-me ligeiramente menos que outras deles.
Não que não adore o EP, note-se. Que adoro. Que venha o album triplo, composto apenas por meia faixa dividida em 3 cds...
Já a cover de Metallica... gostei até chegar a voz. As regravações estão boas, mas também já os originais eram bons, e a cover de Merciless, essa sim, é um exemplo de como fazer uma cover perfeita. Pegar numa faixa de uma banda de death sueco velha guarda e transformá-la numa musica que é, ou poderia ser facilmente, de Moonsorrow.