A banda de abertura foram os noruegueses Kvelertak, que deram bem conta do recado. Ainda que esta banda não seja propriamente desconhecida, é óbvio que a esmagadora maioria dos presentes estavam lá pelos Metallica, o que quer dizer que a banda de abertura tem sempre de fazer um esforço adicional de conquista do público, algo que na minha opinião fica dificultado com o formato do palco desta tour. A banda mostrou-se bastante enérgica, o vocalista tem excelente presença em palco e, mais para o final da atuação (que durou 40 minutos), percebeu-se que tinham conseguido envolver mais o público. Foi um bom aperitivo para os headliners.
Após uma pausa mais longa do que o previsto (era suposto Metallica começar às 21h30 e a banda só entrou em palco cerca de 20 minutos mais tarde), começa a tocar a intro já clássica dos concertos de Metallica - The Ecstasy of Gold para dar o mote inicial, seguida da entrada em palco da banda, logo com dois temas do novo álbum - Hardwire e Atlas, Rise (um pequeno parêntesis para dizer que muito pouco tinha ouvido anteriormente o Hardwire e que só agora, devido ao aproximar da data do concerto, o ouvi convenientemente e tenho a dizer que tem aqui temas muito bons! Talvez tivesse sido boa ideia não lançarem um cd duplo e ficarem-se pela seleção dos melhores temas, mas ainda assim está bom!), que mostraram uma banda revigorada, com um som mais incisivo e enérgico. Seguiu-se a (sempre) fantástica Seek & Destroy e, aqui sim, foi o primeiro grande momento da noite. Seguiram-se mais dois temas gloriosos do passado - Harvester of Sorrow e Welcome Home (Sanitarium) que são sempre excelentes ao vivo (particularmente a Sanitarium, que é sempre arrepiante). Regresso ao novo álbum para tocarem mais dois temas, o primeiro dos quais é um dos meus favoritos do Hardwire - Now that you're dead - e Now that we're dead. For Whom The Bell Tolls e um pouco mais à frente Creeping Death foram outros dos melhores momentos da noite, revisitando o fantástico Ride the Lightning. Pelo meio mais um tema do novo álbum - Halo on Fire (que foi seguida pelo momento mais surpreendente e que deixou grande marca neste concerto - a cover de Xutos "A Minha Casinha". Foi mesmo jogada de mestre da banda que colocou em apoteose o pavilhão, após o que se seguiu um dos momentos mais emotivos, pelo menos para mim foi certamente - o Robb a tocar a Anesthesia)- e uma das minhas covers preferidas de Metallica - Am I Evil?. Moth into Flame foi mais uma prova que o novo material da banda tem realmente qualidade e não os envergonha minimamente para colocar nas setlists da tour, seguida de três temas clássicos - Sad but True (nunca foi das minhas favoritas, mas pronto..), One e Master of Puppets (estas duas sim, são sempre fantásticas ao vivo!). Breve pausa e regresso da banda ao palco para tocarem a Spit out the bone (tema fantástico!), Nothing Else Matters (concedo que a queiram tocar ao vivo, mas não no encore...para isso teria valido muito mais a One), e Enter Sandman, que encerrou mais uma passagem de Metallica pelo nosso país. A banda deu mostras que continuam bem vivos e, ao vivo, nunca me desiludiram (e também não foi desta vez que o fizeram), mostrando uma grande energia e, por que não dizê-lo, alegreia em palco. Pessoalmente, considero que atravessam um dos melhores momentos da carreira dos últimos 20/25 anos, e provaram-no bem neste concerto.
