Phobos Escreveu:
Faz-me alguma confusão que coloquem o líder da Igreja católica ao nível de um governante. Se as pessoas pedem mais da Igreja é também porque a Igreja se propõe a mais. Todo o fundamento da igreja é ser uma ligação com o divino e consequentemente portadora de um padrão moral que deverá levar os seus seguidores à salvação. Se olharmos para a Igreja apenas como uma instituição humana (q a meu ver, claro que é) ela torna-se não só dispensável como fraudulenta.
Eu aqui por acaso discordo. Acho que a Igreja Católica tem um carácter transcendente e eminentemente religioso e, por outro lado, tem um carácter político que não pode deixar de se ter em consideração. Para todos os efeitos, o Papa tem estatuto de Chefe de Estado, o Vaticano tem um serviço diplomático, a própria Igreja estabelece Concordatas com o Estado "político" e basicamente, há 2000 anos que ela tem este carácter ambíguo entre o transcendente e o político...
Phobos Escreveu:Estar a comparar relações politicas e económicas como um suposto emissário de Deus na terra é descabido. Mais, a reacção das pessoas é também um reflexo sociológico. Todas as pessoas, de uma forma ou outra, já foram em algum ponto julgadas nas suas vidas por moralistas e beatas, é normal que se purguem quando vem à baila que os santíssimos ignoram crimes de abuso de crianças e/ou pagam às vitimas para ficarem caladas. Como é normal que algumas pessoas se interroguem, face à mundanidade da instituição, quem é a Igreja para dizer que deus prefere que as pessoas morram de sida do que usarem preservativo.
Estes movimentos contra a igreja resultam do crescimento do pensamento crítico em oposição ao da fé cega, que tanto jeito dava.
Mais uma vez, não acho nada descabido. Acho que analisar a atitute de certas organizações e das acções que estas levam a cabo perante determinadas circunstâncias não é assim tão anormal.
Por outro lado e quando dizes que "todas as pessoas, de uma forma ou outra, já foram em algum ponto julgadas nas suas vidas por moralistas", o inverso também é válido, já que de há algum tempo para cá, parece que o facto de se ser católico (especialmente católico) e em menor grau, muçulmano ou judeu é sinónimo de se ser um bruto, ignorante e fundamentalista. Moralismos há-os de parte a parte.
Acho muito bem que se interrogue e critique as posições mais conservadoras da Igreja, especialmente quando são os próprioas católicos a fazê-lo mas, sinceramente, muitas destas iniciativas/tomadas de posição passam mais por uma vontade de malhar mais um pouco na igreja católica do que num suposto "crescimento do pensamento crítico" face à "fé cega", sendo que aqui peço desculpa pela generalização talvez abusiva...My bad.
