NAPALM DEATH, 07/2004 - Exclusivo Metal Underground !!

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Aiwass
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NAPALM DEATH, 07/2004 - Exclusivo Metal Underground !!

Mensagempor Aiwass » domingo jun 19, 2005 9:25 pm

NAPALM DEATH
A Homenagem: Parte 2

Após deixarem a Earache os Napalm Death fizeram um Ep de covers, editaram dois dos melhores discos da sua carreira e aí estão com um ânimo e vitalidade notáveis. Agora que assinaram pela germânica Century Media, a primeira coisa que a banda lança é mais uma colectâna de covers, mas desta vez em formato longa-duração. Fomos saber o que tem o Barney a dizer sobre isto.


O que vos levou a fazer uma segunda parte de “Leaders Not Followers”?

A primeira parte resultou muito bem, quer em termos do que nos divertimos na gravação quer nas reacções que obteve. Tínhamos tantas músicas que ficaram de fora da primeira sessão que seria uma estupidez não fazer uma segunda parte. Gravámos mais alguns temas para juntar aos que tinham sobrado e ficámos com um álbum inteiro. É uma boa mistura de Metal, Hardcore e Punk que penso que funciona muito bem.

Calculo que a escolha dos temas não tenha sido muito difícil.
Não, não foi nada difícil. Já há algum tempo que tínhamos ideias de fazer versões de alguns temas que gostamos. Foi uma mera questão de voltar a pegar nas nossas velhas cassetes e discos e decidir entre tocar este ou aquele tema.

Este disco é também uma homenagem ao movimento Underground e ao vosso passado no circuito de tape-trading.
Sim, absolutamente. E é uma homenagem a essas bandas também, que mostraram ser possível ter canções clássicas sem grandes produções. Sem dúvida que é uma homenagem e talvez algum pessoal mais novo que goste destes temas se dê ao trabalho de descobrir os originais e ficar a conhecer discos clássicos do Underground.
É bom que fiquem a saber que muitas bandas de agora não existiriam se não fossem bandas como estas a inspirarem-nas.

Vocês devem ter imensas histórias interessantes desse tempo de tape-traders. É curioso até que os dois guitarristas da banda (Mitch Harris e Jesse Pintado) são americanos e conheceram pessoalmente o resto da banda por intermédio desse circuito.
Sim, todos nós éramos tape-traders e correspondíamo-nos com pessoal de todo o mundo. Éramos jovens e não tínhamos dinheiro para viajar, por isso o tape-trading era uma forma de comunicarmos com pessoas de outros países. Uma das pessoas com quem eu trocava mais material era o vocalista dos Paradise Lost, o Nick. Ele era um grande tape-trader e estava mesmo por dentro da cena Death Metal e até Hardcore, coisa que hoje em dia deve surpreender algumas pessoas. Os Paradise Lost eram uma banda muito grande na cena Underground nessa altura e pessoal extremamente porreiro. Nos Estados Unidos também fiz trocas com muita gente, nunca com o Jesse mas troquei muita coisa com o Mitch, que na altura estava nos Righteous Pigs.

Hoje em dia as trocas fazem-se pela Internet e as pessoas não têm noção dos laços que se criavam entre as pessoas. Por vezes são tão fortes que duas dessas pessoas deixaram os EUA para irem viver para a Inglaterra e tocarem nos Napalm Death.
Na altura, tanto os Righteous Pigs, com o Mitch, como os Terrorizer, com o Jesse, eram bandas muito grandes e veneradas no Underground, por isso já os conhecíamos. O Shane e o Mick [ex-baterista de Napalm] tinham contacto frequente com eles e já havia uma amizade forte. Ainda tentámos alguns guitarristas na Inglaterra quando o Bill Steer [Carcass] saiu, mas não encontrámos ninguém com quem as coisas funcionassem. Foi então que falámos com estes dois tipos e, felizmente, tudo correu pelo melhor.

Neste disco contaram também com um convidado muito especial: o primeiro baixista dos Napalm Death, Jim Whiteley, que tocou no lado B de “Scum” e ainda escreveu algumas letras.
Sim, o Jim é um bom amigo de há muitos anos. Por vezes as pessoas pensam que quando um dos membros sai de uma banda não continua amigo dos outros elementos mas isso não foi, de todo, o que aconteceu com o Jim. Ele é um amigo pessoal de há 20 anos. Agora vive fora de Birmingham mas ainda vem cá muitas vezes para passar fins-de-semana e tal. O Shane disse-lhe que íamos fazer este álbum de covers e que seria uma boa ideia que ele gravasse alguns temas. O Jim, que continua a ser um punk, aceitou de imediato e veio gravar os seus temas.

Têm também um novo contrato com a Century Media. Como é que as coisas têm corrido?
Bastante bem, não nos podemos queixar. Há muitos anos que não temos uma promoção decente e agora a Century Media inverteu isso totalmente. Têm feito um trabalho mesmo muito bom.

Têm tido más experiências com editoras...
Sim, definitivamente! [risos]

Mas já resolveram alguns assuntos com a Earache, a propósito do lançamento da compilação “Noise For Music’s Sake”.
Sim, resolvemos. Quer dizer... nunca assinaríamos novamente um contrato com eles mas conseguimos resolver as coisas ao ponto de ser possível voltar a haver algum tipo de comunicação entre as duas partes. Eles iam editar um best of de qualquer forma e nós não queríamos que editassem algo apenas com faixas que já vinham nos álbuns. Queríamos que fosse algo bom e que valesse mesmo a pena ter. Os Napalm foram os responsáveis pela inclusão de todos aqueles temas extra e de coisas como a árvore genealógica, etc. Acho que o resultado ficou bastante bom.

Pelas fotografias promocionais que tive oportunidade de ver, chama logo a atenção o facto do Jesse Pintado não aparecer. Sei que já fizeram uma tournée europeia sem ele mas não sabia que tinha saído da banda. Afinal o que se passa?
O Jesse tem sérios problemas de alcoolismo e não está a passar muito bem – e nós temos sido muito tolerantes com ele. Veio connosco ao Brasil na nossa última tournée e os concertos correram bem mas, no meio de tudo aquilo que acontece à volta do concerto propriamente dito, ele não esteve lá muito bem. Não sei o que vai acontecer, ainda está tudo no ar. Ele tem de ficar sóbrio.

E vocês têm todos personalidades bastante diferentes e têm um passado também de alcoolismo. O convívio deve tornar-se difícil. O Shane também deixou recentemente de beber...
O Shane não deixou de beber, apenas bebe em quantidades muito pequenas. Eu também voltei a beber há cerca de ano e meio. Estava muito cauteloso em relação a isso, pelo facto de já ter sido alcoólico, e não queria ficar numa situação em que pudesse passar pelo que passei há muitos anos atrás. Por isso tomo uma ou duas bebidas, mantenho total controlo sobre mim, e depois paro – não bebo mais o resto da noite.

És também vegetariano. O resto da banda comunga destes teus ideais e opções de vida?
Eles não são vegetarianos, à excepção do Mitch, mas todos se preocupam com o abuso e experimentação animal. Sou da opinião de que não preciso de carne na minha vida por isso não a como mas eles têm visões diferentes e continuam a comer – tudo bem! Mas todos nos preocupamos com os direitos dos animais.

São das poucas bandas no panorama extremo com uma forte consciência social e política e continuam a transmitir isso ao vosso público. Isso é algo fundamental nos Napalm Death.
Claro que é. Napalm sempre teve uma vertente política e isso é parte integrante da identidade da banda, mas vai para além disso. Tem a ver também comigo enquanto indivíduo, são coisas que eu sempre senti e obviamente que irei sempre transmiti-las. São ideais que encontram no contexto Napalm Death um casamento perfeito pois a música é também muito extrema.

Sim, nos vossos dois últimos discos ganharam uma nova força. Pareciam uma banda que está a começar, tal era a energia que apresentaram. Ainda têm esta força ao fim de 20 anos de carreira?
Absolutamente! Estamos cheios de motivação. Além disso, eu gosto tanto da banda – já gostava antes de fazer parte – que isso me dá uma energia extra para continuar. Existem momentos em que todos duvidamos daquilo que fazemos mas rapidamente voltamos a entrar nos eixos. Já estou em Napalm há 15 anos e a vida sem esta banda não estaria correcta, não estaria completa.

Apesar de todos esses anos de carreira e toda a exposição mediática que tiveram – e que, embora não seja a merecida, já é alguma – continuam a ter a mentalidade do it yourself e, com isso, a manter um respeito inigualável na comunidade Underground.
Sim, há muita coisa que continuamos a ser nós próprios a fazer. De momento não temos condições para sermos nós próprios a editar discos porque é preciso dinheiro para gerir uma editora, mas continuamos a ser nós a tomar as decisões e não admitimos que ninguém nos diga o que fazer. Se a editora diz que precisamos de fazer alguma coisa mas nós dizemos que não a fazemos, então esqueçam, porque não fazemos mesmo.

Texto: Ricardo Amorim
Set the controls for the heart of the Sun.

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