Estava a trabalhar há sete anos e meio numa empresa americana com sede cá pioneira e líder na área da cibersegurança, mas as minhas funções não eram propriamente muito especializadas — data management, basicamente (mesmo que eles quisessem que nós puséssemos data analyst no LinkedIn, depois de nos mudarem o título para esse para puderem fazer outro despedimento colectivo, apesar de recebermos metade do que um DA recebe). A empresa apresentou agora as contas do seu ano mais lucrativo, praticamente sem dívida, com boas perspectivas de crescimento e dinheiro em caixa. Contudo, há um ano e meio, o meu departamento tinha mais de 120 pessoas e agora nem 15 lá estão — ficaram os yes, man e os conas, independentemente de serem mais ou menos competentes. Outros departamentos levaram limpezas parecidas. Dois colegas acabadinhos de voltar de licença de paternidade e uma acabadinha (menos de uma semana) de voltar de baixa por burnout também levaram a carta.
Portanto, agora eu e os que foram na mesma leva vamos falar com a mesma advogada que ajudou os outros todos, para nos certificarmos de que nos pagam o que devem, porque as compensações apresentadas ficam sempre aquém, apesar de nas reuniões eles dizerem sempre que nos vão dar um severance package acima do estabelecido na lei. É tão acima que uma colega minha, depois de pagar à advogada, ainda ficou a ganhar mais 6 mil euros (e não tinha propriamente um ordenado decente).
Ainda a reunião em que nos informaram — como quem lê um script, e se tiveres questões podes endereçá-las ao advogado da empresa — ia a meio e já ninguém tinha acesso a nada. Ou seja, queres ver recibos de ordenado, dias de férias, formações feitas e por fazer, despedir dos colegas etc… chupa. Deram-nos 2 dias para aceitarmos os termos.
Obrigado
Agora é arregaçar as mangas, procurar outro e eles que se fodam.




