Beber oito copos de água diários pode não ser tão saudável como se pensa, a crença popular de que apenas utilizamos 10% da nossa capacidade cerebral é infundada e a barba não cresce mais forte quando é feita à máquina.
Estes são alguns dos mitos que caíram por terra depois das investigações de um grupo de cientistas da Escola de Medicina da Universidade de Indiana, segundo um comunicado divulgado pelo centro académico.
«Entusiasmamo-nos com isto porque sabíamos que os médicos aceitam estas ideias e transmitem essa informação aos seus pacientes e estas crenças são citadas frequentemente nesses meios», sublinhou Aaron Carroll, um dos co-autores do estudo, publicado no último número do British Medical Journal.
Carroll e a sua equipa começaram a analisar a ideia de que beber oito copos de água por dia é bom, uma recomendação que remonta a 1945: «Quando examinamos essa crença, vemos que não existem provas médicas que sugiram que uma pessoa necessita de tanta água», afirmou em comunicado emitido pela Universidade de Indiana, Rachel Vreeman, participante no projecto.
Vreeman acredita que este mito começou em 1945 quando o Conselho de Nutrição recomendou que se deveria consumir o equivalente a oito copos de líquidos por dia.
«Com os anos perdeu-se uma parte importante da recomendação do Conselho de Nutrição, nomeadamente que as grandes quantidades de líquidos da comida, sobretudo das frutas e vegetais, assim como do café e refrescos deveriam ser incluídas na quantidade total aconselhada», insiste Vreeman.
Os investigadores defendem que beber em excesso pode ser perigoso e pode conduzir à intoxicação ou inclusivamente à morte.
Vreeman e Carroll também desmentem a crença popular de que apenas usamos 10% do nosso cérebro, uma ideia que está em circulação desde 1907.
Os cientistas asseguraram que scaners cerebrais demonstram que não há áreas do cérebro inactivas e os estudos metabólicos sobre como as células processam os químicos cerebrais indicaram que não há partes deste órgão que não estejam operantes.
O conselho que muitas mães dão às suas filhas adolescentes para que não depilem as pernas porque os pelos crescem mais rapidamente, mais escuros e com mais força também carece de valor científico.
O mito, que se perpetuou durante os últimos 80 anos, pode ser em parte fruto de uma ilusão óptica.
«Quando o pelo aparece depois de ser rapado, cresce espetado. Com o tempo essa ponta desgasta-se e pode parecer mais grossa do que realmente é», dizem os investigadores.
Para além disso, o sol descolora o pelo com o tempo, pelo que os pelos recém-nascidos depois de rapados podem parecer mais escuros, mas não o são.
Outra ilusão óptica leva a crer que pelos e unhas continuam a crescer nos mortos.
O que ocorre na realidade é que a pele se retrai em redor do pêlo e das unhas devido à desidratação dos cadáveres.
E para finalizar, ler com pouca luz não causa um dano permanente nos olhos e comer perú não provoca sonolência como garantem alguns.
Diário Digital/Lusa
Interessante. Às vezes pergunto-me como nascem e se perpetuam certos mitos. A do peru então,
A próxima vez que o meu pai me chatear com a cena da luz, vou pwná-lo.

