Hikikomoris - Os eremitas do século XXI
Hikikomoris - Os eremitas do século XXI
Kazutaka Tashiro tinha 32 anos quando brigou com seu chefe e abandonou o emprego que tinha como instrutor de mergulho em uma escola de Tóquio. Por um ano, viveu só de bicos, pintando paredes. Ao final desse período, algo que ele não sabe definir aconteceu: "Um fio dentro de mim se quebrou". Tashiro cortou relações com o mundo. Parou de trabalhar, de falar e de sair de casa. Trancou-se em seu quarto e lá permaneceu por dois anos sem nem sequer abrir a janela. O pai, com quem ele morava, depois de algum tempo não suportou a situação: vendeu a casa e deu ao filho parte do dinheiro, dizendo que, se ele quisesse continuar vivendo daquele jeito, que fosse viver sozinho. Tashiro, então, alugou um pequeno apartamento – onde continuou sua reclusão por mais oito anos: dormindo durante o dia, montando quebra-cabeças à noite e saindo para comprar comida de madrugada, de modo a não ser visto por vizinhos e não ter de falar com ninguém.
O governo japonês estima que existam entre 600 000 e 1 milhão de pessoas como Tashiro no Japão. Os hikikomoris, termo que significa "pessoas reclusas" ou "isoladas da sociedade", são, em 80% dos casos, homens. Metade deles tem mais de 30 anos, e quase todos registram, no período anterior ao início do enclausuramento, um fracasso de alguma ordem: perderam a namorada, falharam na tentativa de entrar na faculdade, foram demitidos do emprego. "O gatilho que aciona esse comportamento varia enormemente, mas a sensação de não conseguir corresponder à expectativa da família ou da sociedade está sempre presente no hikikomori", diz o psiquiatra Tamaki Saito, criador do termo que serve para designar tanto o distúrbio quanto a pessoa que sofre dele. Até o início dos anos 90, não se falava em hikikomoris no Japão. Embora haja registos da existência deles desde os anos 70, só passaram a chamar atenção no fim da década de 90 – não por coincidência, o período em que a recessão e o desmantelamento do tradicional regime de trabalho japonês, aquele do emprego garantido e praticamente vitalício, produziram hordas de jovens sem trabalho fixo. Numa sociedade influenciada sobremaneira pelo confucionismo, em que o estudo e o trabalho são valores supremos, esses jovens se transformaram numa nova espécie de pária, condição em que muitos hikikomoris de fato se encaixam. "É como se eles fossem peças que não passaram pelo controle de qualidade", afirma o publicitário Masayuki Okuyama, cujo filho, Yoichi, se tornou recluso aos 15 anos. Nessa idade, ele parou de ir à escola. Mais tarde, deixou de sair de casa. Tempos depois, começou a atacar fisicamente os pais. Por mais de uma vez, Okuyama teve de chamar a polícia para conte-lo ou foi obrigado a dormir com a mulher em um hotel, para escapar das suas agressões. Há três anos, o publicitário tomou a decisão de expulsar o filho de casa. Hoje, Yoichi tem 28 anos, vive em um apartamento comprado pelos pais e não mantém nenhum contacto com eles. "Eu não tinha outra opção. Havia violência na minha casa", diz Okuyama.
Mesmo nas situações que não envolvem agressão física, o publicitário acredita que afastar o hikikomori dos pais pode ser a única opção para ele. "Há famílias que mantêm filhos nessa situação por quinze ou mesmo vinte anos. No fim, eles acabam se transformando em bichos de estimação que você alimenta três vezes por dia. Mandá-los embora, muitas vezes, é a única forma de forçá-los a voltar à vida." Okuyama diz, no entanto, ressentir-se do fato de que, no período em que Yoichi atravessava sua pior fase, a família não encontrou ninguém a quem pudesse pedir orientação. Foi pensando nisso que ele fundou há dois anos a Associação de Pais de Vítimas de Hikikomori. A organização já reúne 10 000 pessoas em todo o Japão, e seu criador considera o número ainda pequeno. "Não faz parte do estilo japonês procurar ajuda. As pessoas preferem esconder a situação com medo do que os vizinhos vão dizer", afirma.
O governo do Japão demorou a acordar para o problema. Só no ano passado é que programas de apoio aos hikikomoris passaram a funcionar de forma sistemática na rede pública. Além de serviços de aconselhamento de pais e oferta de estágio em empresas visando a reintegrar os hikikomoris ao trabalho, o governo criou postos de consulta voltados exclusivamente para tratar do assunto: são cinquenta unidades instaladas em 26 províncias do país. No ano passado, esses postos atenderam 35 000 pessoas – em sua maioria, familiares de hikikomoris, já que os próprios raramente vão à procura do serviço. Neste ano, entre os meses de abril e julho, o número de consultas subiu para 38 000 – o equivalente a apenas 6% do contingente mínimo estimado de doentes. Bem à frente das ainda tímidas iniciativas governamentais estão algumas ONGs especializadas no assunto. A New Start, por exemplo, criou as "irmãs de aluguer": estudantes de psicologia, artes e outras matérias que, contratadas para visitar hikikomoris em sua casa, têm como missão arrancá-los de lá – e, mais tarde, integrá-los aos programas de lazer e capacitação de emprego que a entidade mantém. Foi por meio de uma dessas "irmãs de aluguer" que Kazutaka Tashiro saiu de sua reclusão de dez anos. Quando o dinheiro que recebeu do pai acabou, a ponto de ele não ter mais como comprar comida, Tashiro pensou em suicidar-se. Chegou a subir no parapeito da janela de seu quarto. Desesperado, decidiu pedir ajuda à mãe, que, por sua vez, procurou a New Start. A partir daí, uma "irmã de aluguer" passou a mandar cartas e postais a Tashiro. No começo, ele mal os abria. Foi só depois de oito meses de correspondências insistentes que ele concordou em receber uma visita da "irmã". Hoje, considera-se recuperado e trabalha ele próprio como funcionário da New Start, ajudando na recuperação de outros hikikomoris. Sua história é uma das raras com final feliz. A taxa de recuperação entre os portadores do distúrbio, segundo especialistas, não chega a 30%.
Seriam os hikikomoris um produto exclusivo da competitiva sociedade japonesa? O psiquiatra Saito não acredita nisso. Ele conta que, há cinco anos, uma equipe da BBC, rede inglesa de televisão, esteve no Japão para produzir uma reportagem sobre o assunto. Quando o programa foi ao ar, a emissora recebeu dezenas de telefonemas de espectadores dizendo ter problema parecido na família. "Na Coreia do Sul e na Itália também há pessoas em situação semelhante. Recebo muitos e-mails de lá", afirma Saito. "Todo país tem jovens com dificuldades de adaptação." Mas há uma diferença. Para o jornalista Yutaka Shiokura, autor do livro Hikikomori, a juventude enfrenta uma realidade mais perversa no Japão: "A sociedade japonesa não tem espaço para as diferenças – é como um trem de um único vagão. Quem não consegue embarcar nele fica na plataforma para o resto da vida".
in: VEJA(versão brasileira)
Achei este artigo muito interessante, não só por este fenómeno ser um fruto desta sociedade cada vez mais competitiva e alienante, mas lembro-me de ter visto uma reportagem no canal Odisseia sobre isto e mostraram um caso de um homem que se fechou no quarto quando era adolescente, sem janelas, sem TV, sem computador, sem luz, não tomava banho, não fazia a barba, não cortava o cabelo, tudo que a mãe lhe passava pela porta ficava dentro do quarto, assim como as necessidades fisiológicas, a porta do quarto já não abria com o lixo acumulado, e lembro-me perfeitamente da mãe dizer que já não o via há anos e não sabia quando o voltaria a ver...
Não sei se e Portugal há casos semelhantes, mas conheço algumas pessoas que preferem ficar nos seus quartos agarrados ao pc, a sair, ir ao cinema, ir beber um copo, a ir a concertos... a socializar.
Que acham deste fenómeno?
É típico da sociedade japonesa? Ou podemos afirmar que caminhamos para o mesmo?
Conhecem casos assim?
O governo japonês estima que existam entre 600 000 e 1 milhão de pessoas como Tashiro no Japão. Os hikikomoris, termo que significa "pessoas reclusas" ou "isoladas da sociedade", são, em 80% dos casos, homens. Metade deles tem mais de 30 anos, e quase todos registram, no período anterior ao início do enclausuramento, um fracasso de alguma ordem: perderam a namorada, falharam na tentativa de entrar na faculdade, foram demitidos do emprego. "O gatilho que aciona esse comportamento varia enormemente, mas a sensação de não conseguir corresponder à expectativa da família ou da sociedade está sempre presente no hikikomori", diz o psiquiatra Tamaki Saito, criador do termo que serve para designar tanto o distúrbio quanto a pessoa que sofre dele. Até o início dos anos 90, não se falava em hikikomoris no Japão. Embora haja registos da existência deles desde os anos 70, só passaram a chamar atenção no fim da década de 90 – não por coincidência, o período em que a recessão e o desmantelamento do tradicional regime de trabalho japonês, aquele do emprego garantido e praticamente vitalício, produziram hordas de jovens sem trabalho fixo. Numa sociedade influenciada sobremaneira pelo confucionismo, em que o estudo e o trabalho são valores supremos, esses jovens se transformaram numa nova espécie de pária, condição em que muitos hikikomoris de fato se encaixam. "É como se eles fossem peças que não passaram pelo controle de qualidade", afirma o publicitário Masayuki Okuyama, cujo filho, Yoichi, se tornou recluso aos 15 anos. Nessa idade, ele parou de ir à escola. Mais tarde, deixou de sair de casa. Tempos depois, começou a atacar fisicamente os pais. Por mais de uma vez, Okuyama teve de chamar a polícia para conte-lo ou foi obrigado a dormir com a mulher em um hotel, para escapar das suas agressões. Há três anos, o publicitário tomou a decisão de expulsar o filho de casa. Hoje, Yoichi tem 28 anos, vive em um apartamento comprado pelos pais e não mantém nenhum contacto com eles. "Eu não tinha outra opção. Havia violência na minha casa", diz Okuyama.
Mesmo nas situações que não envolvem agressão física, o publicitário acredita que afastar o hikikomori dos pais pode ser a única opção para ele. "Há famílias que mantêm filhos nessa situação por quinze ou mesmo vinte anos. No fim, eles acabam se transformando em bichos de estimação que você alimenta três vezes por dia. Mandá-los embora, muitas vezes, é a única forma de forçá-los a voltar à vida." Okuyama diz, no entanto, ressentir-se do fato de que, no período em que Yoichi atravessava sua pior fase, a família não encontrou ninguém a quem pudesse pedir orientação. Foi pensando nisso que ele fundou há dois anos a Associação de Pais de Vítimas de Hikikomori. A organização já reúne 10 000 pessoas em todo o Japão, e seu criador considera o número ainda pequeno. "Não faz parte do estilo japonês procurar ajuda. As pessoas preferem esconder a situação com medo do que os vizinhos vão dizer", afirma.
O governo do Japão demorou a acordar para o problema. Só no ano passado é que programas de apoio aos hikikomoris passaram a funcionar de forma sistemática na rede pública. Além de serviços de aconselhamento de pais e oferta de estágio em empresas visando a reintegrar os hikikomoris ao trabalho, o governo criou postos de consulta voltados exclusivamente para tratar do assunto: são cinquenta unidades instaladas em 26 províncias do país. No ano passado, esses postos atenderam 35 000 pessoas – em sua maioria, familiares de hikikomoris, já que os próprios raramente vão à procura do serviço. Neste ano, entre os meses de abril e julho, o número de consultas subiu para 38 000 – o equivalente a apenas 6% do contingente mínimo estimado de doentes. Bem à frente das ainda tímidas iniciativas governamentais estão algumas ONGs especializadas no assunto. A New Start, por exemplo, criou as "irmãs de aluguer": estudantes de psicologia, artes e outras matérias que, contratadas para visitar hikikomoris em sua casa, têm como missão arrancá-los de lá – e, mais tarde, integrá-los aos programas de lazer e capacitação de emprego que a entidade mantém. Foi por meio de uma dessas "irmãs de aluguer" que Kazutaka Tashiro saiu de sua reclusão de dez anos. Quando o dinheiro que recebeu do pai acabou, a ponto de ele não ter mais como comprar comida, Tashiro pensou em suicidar-se. Chegou a subir no parapeito da janela de seu quarto. Desesperado, decidiu pedir ajuda à mãe, que, por sua vez, procurou a New Start. A partir daí, uma "irmã de aluguer" passou a mandar cartas e postais a Tashiro. No começo, ele mal os abria. Foi só depois de oito meses de correspondências insistentes que ele concordou em receber uma visita da "irmã". Hoje, considera-se recuperado e trabalha ele próprio como funcionário da New Start, ajudando na recuperação de outros hikikomoris. Sua história é uma das raras com final feliz. A taxa de recuperação entre os portadores do distúrbio, segundo especialistas, não chega a 30%.
Seriam os hikikomoris um produto exclusivo da competitiva sociedade japonesa? O psiquiatra Saito não acredita nisso. Ele conta que, há cinco anos, uma equipe da BBC, rede inglesa de televisão, esteve no Japão para produzir uma reportagem sobre o assunto. Quando o programa foi ao ar, a emissora recebeu dezenas de telefonemas de espectadores dizendo ter problema parecido na família. "Na Coreia do Sul e na Itália também há pessoas em situação semelhante. Recebo muitos e-mails de lá", afirma Saito. "Todo país tem jovens com dificuldades de adaptação." Mas há uma diferença. Para o jornalista Yutaka Shiokura, autor do livro Hikikomori, a juventude enfrenta uma realidade mais perversa no Japão: "A sociedade japonesa não tem espaço para as diferenças – é como um trem de um único vagão. Quem não consegue embarcar nele fica na plataforma para o resto da vida".
in: VEJA(versão brasileira)
Achei este artigo muito interessante, não só por este fenómeno ser um fruto desta sociedade cada vez mais competitiva e alienante, mas lembro-me de ter visto uma reportagem no canal Odisseia sobre isto e mostraram um caso de um homem que se fechou no quarto quando era adolescente, sem janelas, sem TV, sem computador, sem luz, não tomava banho, não fazia a barba, não cortava o cabelo, tudo que a mãe lhe passava pela porta ficava dentro do quarto, assim como as necessidades fisiológicas, a porta do quarto já não abria com o lixo acumulado, e lembro-me perfeitamente da mãe dizer que já não o via há anos e não sabia quando o voltaria a ver...
Não sei se e Portugal há casos semelhantes, mas conheço algumas pessoas que preferem ficar nos seus quartos agarrados ao pc, a sair, ir ao cinema, ir beber um copo, a ir a concertos... a socializar.
Que acham deste fenómeno?
É típico da sociedade japonesa? Ou podemos afirmar que caminhamos para o mesmo?
Conhecem casos assim?
RIP
- Sir Sardine
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Acho que é típico da sociedade japonesa, no entanto não exclusivo. Pela globalização, ou outros factores, podem-se encontrar por todos os países desenvolvidos, pessoas com essa atitude.
Casos mais extremos que outros, no entanto sempre associados aos mesmos factores, sejam emocionais, laborais etc...
E cada vez será mais frequente isso acontecer, mas sempre com a companhia de um computador, e acesso à world wide web.
Casos mais extremos que outros, no entanto sempre associados aos mesmos factores, sejam emocionais, laborais etc...
E cada vez será mais frequente isso acontecer, mas sempre com a companhia de um computador, e acesso à world wide web.
de certo modo todos nos somos assim nao?
e digo isto pelo simples facto de que, quando confrontados com situaçoes similares a, por exemplo, o acabar de uma relaçao - que para mim acaba por ser a polvora que desencadea a necessidade de isolamento - tendemos a "fugir" e a refugiarmo-nos.
a necessidade que temos de, nessas alturas, nao vermos mais ninguem - é problematico mas nao deixa de ser uma realidade...
o facto de hoje em dia termos a possibilidade de ter tudo - ou quase tudo - sem a necessidade de contacto com o mundo exterior, ajuda a que este afastar progressivo ocorra...
e digo isto pelo simples facto de que, quando confrontados com situaçoes similares a, por exemplo, o acabar de uma relaçao - que para mim acaba por ser a polvora que desencadea a necessidade de isolamento - tendemos a "fugir" e a refugiarmo-nos.
a necessidade que temos de, nessas alturas, nao vermos mais ninguem - é problematico mas nao deixa de ser uma realidade...
o facto de hoje em dia termos a possibilidade de ter tudo - ou quase tudo - sem a necessidade de contacto com o mundo exterior, ajuda a que este afastar progressivo ocorra...
"where would we be without black sabbath?" justin E.W. MAD FER IT! dowhatthouwiltshallbethewholeofthelaw
http://www.myspace.com/paranoyadesign http://www.paranoyadesign.deviantart.com
repressão política... só para alguns...
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- Sir Sardine
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diabox Escreveu:de certo modo todos nos somos assim nao?
e digo isto pelo simples facto de que, quando confrontados com situaçoes similares a, por exemplo, o acabar de uma relaçao - que para mim acaba por ser a polvora que desencadea a necessidade de isolamento - tendemos a "fugir" e a refugiarmo-nos.
a necessidade que temos de, nessas alturas, nao vermos mais ninguem - é problematico mas nao deixa de ser uma realidade...
o facto de hoje em dia termos a possibilidade de ter tudo - ou quase tudo - sem a necessidade de contacto com o mundo exterior, ajuda a que este afastar progressivo ocorra...
No entanto também quem saia vá para festas com os amigos e tal, não é assim tão linear...
Sir Sardine Escreveu:diabox Escreveu:de certo modo todos nos somos assim nao?
e digo isto pelo simples facto de que, quando confrontados com situaçoes similares a, por exemplo, o acabar de uma relaçao - que para mim acaba por ser a polvora que desencadea a necessidade de isolamento - tendemos a "fugir" e a refugiarmo-nos.
a necessidade que temos de, nessas alturas, nao vermos mais ninguem - é problematico mas nao deixa de ser uma realidade...
o facto de hoje em dia termos a possibilidade de ter tudo - ou quase tudo - sem a necessidade de contacto com o mundo exterior, ajuda a que este afastar progressivo ocorra...
No entanto também quem saia vá para festas com os amigos e tal, não é assim tão linear...
nao é assim tao linear, logico. layne stanley disse algo do tipo: sozinho...no meio de milhoes!
o estar acompanhado nao significa que se esteja "sozinho"...correcto?
ja depende das capacidades de cada um de nos...
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Sir Sardine Escreveu:Pois ai está bem, mas o que está em causa neste caso é o também refugiar fisicamente, e não só de pensamento.
o fisico acaba por ser um resultado do psico...nao?
passa um pouco pela experiencia de cada um. ha quem goste de se afastar de tudo e todos...e ha quem prefira o oposto...
claro que ha N opinioes sobre o tema - que antes demais é bastante interessante...
acaba por ser um pouco: como reages tu perante certas situaçoes que afectam o psico?
nice talk
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Phobos [RIP]
Eu tenho um grande amigo, que não vejo há alguns anos, que chegou a uma altura da vida dele em que o seu desencanto com tudo chegou a tal ponto que simplesmente se isolou. Deixou a faculdade, deixou de falar com os amigos e limitou a sua vida ao seu quarto e ao computador, onde passava dias a fio a programar. Não é um caso tão grave como os que já vi relatados do Japão, mas é suficiente extremo para se ter isolado de toda a gente.
A minha teoria é que essas pessoas apenas não se matam porque têm algo que amam e muitas vezes se mostram violentas ou hostis para as pessoas próximas por raiva de se sentirem numa obrigação para com elas. Neste caso a obrigação é manterem-se vivas, embora em lenta decadência. Por outro lado não sei até que ponto não acabam de fazer os outros à sua volta de reféns e serventes da sua cobardia. Para mim, pessoalmente, acho este assunto complexo de mais.
Já tive alguns episódios da minha vida em que também me submeti a isolamentos semelhantes, mas curtos. Provavelmente todos nós, ou alguns de nós, já tivemos uma ou varias alturas da vida em que nos limitamos a ficar no nosso canto uma ou duas semanas, sem tomar banho, parcamente comendo, dormindo apenas por exaustão… em suma, abdicando de toda a manutenção recomendada a um humano. Digo que isto é um assunto complexo, porque nem eu sei ao certo o que leva a esses momentos, há qualquer coisa de aleatório. Do meu caso sei que apenas não quero saber de nada, apenas tenho a esperança de já não haver mundo quando voltar a sair à rua ou de que me vá finando sem dar por isso,, até que do nada parece que todo o tempo que perdi com a minha cabeça deu frutos e toda essa dor/apatia perde o sentido.
Casos como o do meu amigo, ou como o dos japoneses, acho-os tão extremos que nem me atrevo a ter certeza alguma.
A minha teoria é que essas pessoas apenas não se matam porque têm algo que amam e muitas vezes se mostram violentas ou hostis para as pessoas próximas por raiva de se sentirem numa obrigação para com elas. Neste caso a obrigação é manterem-se vivas, embora em lenta decadência. Por outro lado não sei até que ponto não acabam de fazer os outros à sua volta de reféns e serventes da sua cobardia. Para mim, pessoalmente, acho este assunto complexo de mais.
Já tive alguns episódios da minha vida em que também me submeti a isolamentos semelhantes, mas curtos. Provavelmente todos nós, ou alguns de nós, já tivemos uma ou varias alturas da vida em que nos limitamos a ficar no nosso canto uma ou duas semanas, sem tomar banho, parcamente comendo, dormindo apenas por exaustão… em suma, abdicando de toda a manutenção recomendada a um humano. Digo que isto é um assunto complexo, porque nem eu sei ao certo o que leva a esses momentos, há qualquer coisa de aleatório. Do meu caso sei que apenas não quero saber de nada, apenas tenho a esperança de já não haver mundo quando voltar a sair à rua ou de que me vá finando sem dar por isso,, até que do nada parece que todo o tempo que perdi com a minha cabeça deu frutos e toda essa dor/apatia perde o sentido.
Casos como o do meu amigo, ou como o dos japoneses, acho-os tão extremos que nem me atrevo a ter certeza alguma.
Interessante o artigo, nunca tinha ouvido a designação de hikikomoris. No entanto não me surpreende que eles existam no Japão. Já tinha lido várias vezes sobre os reclusos das tecnologias, absolutamente viciados e dependentes em gadgets, consolas e internet, bem como me recordo de um artigo que li há bem pouco tempo sobre os quase-desalojados que vivem em cyber-cafés que já dispõem inclusive de camas para pernoitar.
De facto parece que a disciplina extrema do trabalho competitivo começa a deixar as suas marcas, numa sociedade que só vê produtividade laboral à frente dos olhos, e se esquece da produtividade emocional e social. A imagem de um comboio a todo o vapor parece-me acertada, e se aplicada no nosso país certamente deixaria grande parte da população para trás.
É claro que há pessoas que se isolam esporadicamente, e os motivos podem ser inúmeros. Regra geral não é mais do que uma resposta adaptativa do cérebro que necessita de fazer um "reboot" a todos os estímulos negativos externos dos últimos tempos, e que não o consegue fazer senão na ausência total desses estímulos. O critério importante aqui é o "tempo", pois isolamentos que condicionem de modo grave o funcionamento em sociedade não podem ser vistos como positivos ou despreocupantes. Ainda mais grave, é quando estes comportamentos começam a abranger números tão astronómicos como no Japão.
Não acredito que tal pudesse acontecer no nosso país. Os nossos queixumes são muito distintos, e nós somos peritos em ser inúteis e viver extremamente bem com isso. Basta passar um dia em consulta e ver o número tremendo de pessoas que tem sonhos molhados com baixas médicas...
De facto parece que a disciplina extrema do trabalho competitivo começa a deixar as suas marcas, numa sociedade que só vê produtividade laboral à frente dos olhos, e se esquece da produtividade emocional e social. A imagem de um comboio a todo o vapor parece-me acertada, e se aplicada no nosso país certamente deixaria grande parte da população para trás.
É claro que há pessoas que se isolam esporadicamente, e os motivos podem ser inúmeros. Regra geral não é mais do que uma resposta adaptativa do cérebro que necessita de fazer um "reboot" a todos os estímulos negativos externos dos últimos tempos, e que não o consegue fazer senão na ausência total desses estímulos. O critério importante aqui é o "tempo", pois isolamentos que condicionem de modo grave o funcionamento em sociedade não podem ser vistos como positivos ou despreocupantes. Ainda mais grave, é quando estes comportamentos começam a abranger números tão astronómicos como no Japão.
Não acredito que tal pudesse acontecer no nosso país. Os nossos queixumes são muito distintos, e nós somos peritos em ser inúteis e viver extremamente bem com isso. Basta passar um dia em consulta e ver o número tremendo de pessoas que tem sonhos molhados com baixas médicas...
Fotografia - http://www.joseramos.com | http://www.facebook.com/joseramosphotography/
Amphion (blackened death metal)
Amphion (blackened death metal)
Phobos Escreveu:Já tive alguns episódios da minha vida em que também me submeti a isolamentos semelhantes, mas curtos. Provavelmente todos nós, ou alguns de nós, já tivemos uma ou varias alturas da vida em que nos limitamos a ficar no nosso canto uma ou duas semanas, sem tomar banho, parcamente comendo, dormindo apenas por exaustão… em suma, abdicando de toda a manutenção recomendada a um humano
e quem nunca passou por situaçoes dessas?
mas ai esta, é complexo o suficiente para nao sabermos ao certo o que dizer ou fazer...
logico que todos nós nos isolamos quando nos sentimos fracos...e para alguns essa fraqueza so é ultrapassada atraves de um isolamento do resto, e por consequente, daquilo que lhe causa essa mesma fraqueza...
porra lá para as ex-namoradas XD
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repressão política... só para alguns...
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Phobos [RIP]
Phobos Escreveu:porra lá para as ex-namoradas XD
Esse acho que seria o ultimo motivo a deixar-me nesse estado.
lol
nao se chega a esse extremo...apesar que conheço um caso que...
mas no que toca o aspecto sentimental, creio que é onde se vislumbra uma maior probabilidade de afastamento social ou identico...
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