Lenta e precocemente sinto o corpo a corroer-se. Sobram estes ossos ocos...
O sorriso carimbado e a pele que não existe vazia, tudo me faz perder a crença na redenção.
A vaga transfusão de electricidade entre órgãos e membros,
absorções e dissipações de energia orgânica, cada uma delas põe-me mais perto...
...senta-me a uma ceia que nunca pensei recear.
Pareço ser o único que vê os corpos a amontoarem e desmontar-se...
Mortos, vivos, mais ou menos, todos respiram.
De olhos abertos ouço-os menos. Sinto a boca aberta e o discurso encriptado, surdo.
Destas vozes sibilantes nenhuma se destaca, porém nenhuma se desvanece.
O relevo que lhe dariam seria emocional, mas pretende ser um subtexto, um misto de atentado e compaixão perante a loucura subtil...
...as coisas que alguns fazem no escuro.
Quase que sei o que faço quando o faço. Mas quase não conta.
Da história não reza o quase, nem o tempo...
Só a precisão da crónica desejável, invariavelmente sujeita a ratificação pelos poderes superiores.
O medo de me perder... e perder-me no medo.
Encodificaram o caminho, é a única certeza.
As migalhas ficaram numa caixa preta, numa folha branca com letras, projectada na tela.
O fio do tempo quebra-se e torna-se imagens reflectidas duma das possíveis dimensões.
Desta ilha humana a única continuidade que sobra é o circulo.
A imagem que nos prometeu sentir, mas o toque ilude como uma gravura a duas dimensões.
A posse é a única emoção aparente. Aparentemente.
Por isso sentei-me e esperei. Vejo outros cá fora, correm a acompanhar o carrossel.
Acham que vai parar e que assim podem voltar.
Já nem me lembro por que saí... só que é mais fácil pensar quando não anda tudo à roda.
Aliás, será que já lá estive? Prefiro bater o pé e mexer na barba a pensar.
Mas quem sabe, se a roda funciona com os ratos... O movimento catatónico duma cadeira de baloiço...
...não sei, parece-me mais plausível.
Pelo menos não deve cuspir emoções, como o carrossel.
O animal evoluiu dessa centrifugação de pensamentos, o amassar da massa encefálica colectiva...
...em já não sabemos quem pensou o quê... o utópico inconsciente colectivo.
Tudo o que nos leve mais perto do abismo, digo eu...ou não...
Este tipo de pensamento liberal deve trazer-nos a algum lugar concreto, espero.
Desde que nos mova, continuo... Finco os pés na borda.
Gosto de pensar que não há folhetos de instruções como nos aviões, talvez porque nunca haverá risco de acidente, é óbvio.
Seria o mesmo que distribuir pára-quedas no Grand Canyon.
O estímulo de percorrer o extremo. Dum lado terra em chamas, do outro ar e água.
Tenho uma venda para não deixar o dramatismo da paisagem decidir por mim.
Gostava de saber se alguém me avisava caso estivesse no olho da tempestade.
Já não interessa que consciência tenho ou não disto, o que importa é que esteja a ver bem...
Lógica Circular
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Svandis [RIP]
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