GUERRA 1961/1974
GUERRA 1961/1974
Pode não ser um tópico adequado ao fórum, mas penso que é uma questão actual.
Pode não dizer nada às novas gerações, mas existe muita gente que convive com familiares que tiveram em África...
O meu pai teve na Guiné. Quase nunca se fala sobre as suas vivências por lá, porque sei o quanto isso o afecta...
Conhecem ou lidam com familiares ou conhecidos que passaram por esta situação?
Pode não dizer nada às novas gerações, mas existe muita gente que convive com familiares que tiveram em África...
O meu pai teve na Guiné. Quase nunca se fala sobre as suas vivências por lá, porque sei o quanto isso o afecta...
Conhecem ou lidam com familiares ou conhecidos que passaram por esta situação?
VINYL * CD * DVD...@ http://albaqubra.blogspot.com/
- nazgul
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Tem tudo a ver com o fórum: Napalm... Napalm Death... ok, infeliz!!!
Bem, queria ver o documentário mas á mesa discutia-se outra merda qualquer, vou esperar que sai em dvd pra ver tudo com mais calma.
O meu pai também teve na Guiné... mas pouco fala nisso, aliás fala sempre nas mesmas cenas e refere mais as situações caricatas boa onda que aconteciam para se conseguir suportar aquilo... do género beber até morrer!!!
Hoje acordei com a telefonia a reflectir por mim: fórum da TSF a falar do Prós e Contras - Doc GUERRA, e alguém dizia que os portugas tinham nas suas cabeças o assunto da guerra mto recalcado. Ninguém fala nisso. Foi mto doloroso pra todos: para os soldados que iam pra lá e não concordavam com ela, para os retornados que voltaram de lá SEM NADA!! tenho mtos amigos a quem lhes aconteceu isso, porq moro numa zona de mto retornado.
Noutro dia, com um amigo Black, em conversa ele chamou-me a atenção para não só os brancos que sairam de lá porque não era o país deles mas também dos próprios negros que queriam continuar a ser portugueses e não Angolanos/moçambicanos/etc. e como tiveram uma vida do caralho por cá!!!
Enfim há mta coisa pra descobrir e pensar.
Parabéns à RTP... parece que estamos nos últimos (2) anos a ter um canal mais ou menos decente...
Bem, queria ver o documentário mas á mesa discutia-se outra merda qualquer, vou esperar que sai em dvd pra ver tudo com mais calma.
O meu pai também teve na Guiné... mas pouco fala nisso, aliás fala sempre nas mesmas cenas e refere mais as situações caricatas boa onda que aconteciam para se conseguir suportar aquilo... do género beber até morrer!!!
Hoje acordei com a telefonia a reflectir por mim: fórum da TSF a falar do Prós e Contras - Doc GUERRA, e alguém dizia que os portugas tinham nas suas cabeças o assunto da guerra mto recalcado. Ninguém fala nisso. Foi mto doloroso pra todos: para os soldados que iam pra lá e não concordavam com ela, para os retornados que voltaram de lá SEM NADA!! tenho mtos amigos a quem lhes aconteceu isso, porq moro numa zona de mto retornado.
Noutro dia, com um amigo Black, em conversa ele chamou-me a atenção para não só os brancos que sairam de lá porque não era o país deles mas também dos próprios negros que queriam continuar a ser portugueses e não Angolanos/moçambicanos/etc. e como tiveram uma vida do caralho por cá!!!
Enfim há mta coisa pra descobrir e pensar.
Parabéns à RTP... parece que estamos nos últimos (2) anos a ter um canal mais ou menos decente...
- BKD.
- Ultra-Metálico(a)
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O meu pai foi Comando em Angola e participou activamente na frente de batalha. É tudo o que sei, porque ele nunca falou nem fala da guerra em pormenor, nunca falou dos que matavam, feriam ou capturavam, apenas que viu companheiros morrer e ficarem feridos ao lado dele, mas arranja sempre forma de mudar de conversa.
:: https://www.ilargia.pt|https://linktr.ee/visceraldeathmetal
:: In the beginning the Universe was created. This has made a lot of people very angry and been widely regarded as a bad move. ::
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Pedro Lopes
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- Einherjer
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o meu pai esteve em mocambique.
nao sei se e bem verdade, mas ele conta que teve um servico militar santo, nunca viu um guerrilheiro e em dois anos so disparou a arma em combate uma vez.
de resto era interminaveis marchas, patrulhas e exercicios alternados com nativas e cerveja.
entretanto ao voltar a portugal conheceu a minha mae, mas sabe-se la quantos irmaos eu tenho em mocambique.
nao sei se e bem verdade, mas ele conta que teve um servico militar santo, nunca viu um guerrilheiro e em dois anos so disparou a arma em combate uma vez.
de resto era interminaveis marchas, patrulhas e exercicios alternados com nativas e cerveja.
entretanto ao voltar a portugal conheceu a minha mae, mas sabe-se la quantos irmaos eu tenho em mocambique.
"If you want a picture of the future, imagine a boot stomping on a human face. Forever." O'Brien
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Bronze [RIP]
Pessoalmente estive no campo de concentração de Tavira e ainda hoje acordo sobressaltado com os traumas de guerra por lá adquiridos...
Na família mais chegada tenho um ex-combatente em Angola (hard stuff) e um outro regressado de S. Tomé e Princípe, onde consta que o tempo era passado entre os viveiros das lagostas e as pretinhas de chocolate
Na família mais chegada tenho um ex-combatente em Angola (hard stuff) e um outro regressado de S. Tomé e Princípe, onde consta que o tempo era passado entre os viveiros das lagostas e as pretinhas de chocolate
- MarkArchangel
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- Sacred-Steel
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O meu pai esteve em Angola, era o enfermeiro chefe da Companhia dele. Fala abertamente dos dois anos que lá passou. Um ano fui com ele ao encontro anual da Companhia. Por sorte, e mesmo tendo tido vários encontros com os "terroristas" não morreu nenhum homem da Companhia. Há alguns que tiveram ferimentos mas nada de muito grave. Apenas um ficou com um grave trauma, porque no último dia, já tinha acabado a comissão da Companhia, foi por carolice a acompanhar um pelotão da Companhia substituta. Foram atacados em força e apenas sobreviveu ele.
O meu padrinho, militar de carreira esteve 4 anos na Guiná e 2 ou 3 em Angola. Tem estilhaços de granada nas costas, recebeu várias condecorações, mas não fala muito sobre a guerra. Até há bem pouco tempo, se estivesse distraído quando deitassem um foguete, dava um salto, rebolava pelo chão e quando davamos por ela estava debaixo da mesa... Esteve na Guiné no auge da guerra, e passou por situações bastante complicadas.
Em Angola esteve no final da guerra, e no pós-25 de Abril. Ainda ajudou muitos portugueses a entrar nos barcos. Felizmente não foi daqueles oficiais que confiscavam diamantes e outros bens de valor. Quase deu um tiro num superior dele que estava a embolsar diamantes e a cobrar dinheiro aos portugueses para poderem entrar nos barcos.
O meu sogro esteve em Moçambique, segundo ele a comer marisco e beber cerveja. Nunca deu um tiro.
Tenho é vários conhecidos que passaram maus bocados, mataram e viram morrer.
Dois foram prisioneiros de guerra na Índia durante dois anos, onde fizeram trabalho escravo.
O meu padrinho, militar de carreira esteve 4 anos na Guiná e 2 ou 3 em Angola. Tem estilhaços de granada nas costas, recebeu várias condecorações, mas não fala muito sobre a guerra. Até há bem pouco tempo, se estivesse distraído quando deitassem um foguete, dava um salto, rebolava pelo chão e quando davamos por ela estava debaixo da mesa... Esteve na Guiné no auge da guerra, e passou por situações bastante complicadas.
Em Angola esteve no final da guerra, e no pós-25 de Abril. Ainda ajudou muitos portugueses a entrar nos barcos. Felizmente não foi daqueles oficiais que confiscavam diamantes e outros bens de valor. Quase deu um tiro num superior dele que estava a embolsar diamantes e a cobrar dinheiro aos portugueses para poderem entrar nos barcos.
O meu sogro esteve em Moçambique, segundo ele a comer marisco e beber cerveja. Nunca deu um tiro.
Tenho é vários conhecidos que passaram maus bocados, mataram e viram morrer.
Dois foram prisioneiros de guerra na Índia durante dois anos, onde fizeram trabalho escravo.
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- Phantom
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nazgul Escreveu:refere mais as situações caricatas boa onda que aconteciam para se conseguir suportar aquilo... do género beber até morrer!!!
o meu pai é a mm coisa. teve na guiné, era motorista n sei do que, n sei se tb andou lá aos tiros ou não, mas nca o ouvi falar em matar, capturar o que quer que seja...em vez disso conta essas tair historias boa onda da merda que faziam lá. Chegaram ao ponto de por um oficial a lavar pratos
até na guerra tuga é tuga crl!!
- BKD.
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Bronze Escreveu:Pessoalmente estive no campo de concentração de Tavira e ainda hoje acordo sobressaltado com os traumas de guerra por lá adquiridos...
Na família mais chegada tenho um ex-combatente em Angola (hard stuff) e um outro regressado de S. Tomé e Princípe, onde consta que o tempo era passado entre os viveiros das lagostas e as pretinhas de chocolate
S. Tomé e Princípe...eu sou de lá...
Agora lembrei-me de uma situação que valeu ao meu pai um ódio de estimação. O meu pai viveu em S.Tomé e Princípe dos 7 anos até pouco depois do 25 de Abril. Fez lá parte da tropa, até se ter voluntariado para os comando e ter feito serviço na guerra em Angola. Para quem tem uma ideia de S.Tomé, aquilo era [ e é ] o paraíso na terra. Nunca lá se passou nada, era quase uma colónia de férias para quem lá fazia serviço.
Poucos anos depois de ter voltado para Portugal, estava o meu pai colocado no BNU em Silves, e após ter saído do trabalho, foram a uma tasca beber uns copos, e no meio da conversa com uns gajos que lá estavam, surgiu a guerra colonial. Aquilo era um a dizer "eu estive na Guiné, aquilo lá é que era mau", outro "eu vi colegas meus a morrer ao lado", etc etc, até que um gajo lá se vira e diz "eu é que estive no inferno, os guerrilheiros não nos davam paz, acordávamos com bombas a rebentarem frente a casa, rajadas de metralhadora a meio da noite, todos os dias morriam soldados, era o terror...". Ficaram todos espantados e perguntaram onde é que ele tinha estado, e o gajo, colocando um ar altivo e confiante disse "eu estive no inferno da ilha do Princípe". O meu pai cuspiu a cerveja que estava a beber e partiu-se a rir. Depois disse que viveu em S. Tomé quase 25 anos e explicou o que era S.Tomé e a ilha do Princípe. O outro artista, se tivesse um buraco para se enfiar, tinha desaparecido. Por ironia do destino, esse gajo voltou a cruzar-se com o meu pai em diversas situações, e até comigo, e já demonstrou ter ficado com um ódio visceral ao meu pai, por o ter feito fazer figura de urso.
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Brujo [RIP 2009/08/10]
O meu avô foi marinheiro. Fez missões em vários sítios, incluindo em Timor e Macau. Não sei se alguma vez disparou uma arma, não se fala muito nisto. O meu pai nasceu em Angola e viveu lá até aos 14 anos, quando foram desterrados. Deixaram lá imensa riqueza, a única coisa que trouxeram foi o carocha atafulhado de coisas. Refizeram a sua vida na terra-natal, em Trás-os-Montes e Alto Douro, com a ajuda da família. Conseguiram, pelas próprias mãos, construir uma casa e adquirir várias terras. Acabaram por conseguir viver bem passados uns bons anos, mas os traumas ficaram... Por exemplo, tanto o meu pai como o meu avô são profundamente racistas, embora o meu pai consiga aceitar alguns.
Esta é uma das razões pelas quais eu tanto gosto do nosso carocha. Simboliza anos prósperos e felizes do meu pai e dos meus avós.
Esta é uma das razões pelas quais eu tanto gosto do nosso carocha. Simboliza anos prósperos e felizes do meu pai e dos meus avós.
RuySan: Não percebo a obsessão que certas pessoas têm com cuecas.
Zombie_: Tem lá coisas tão giras.
Grimner: Eis o porquê.
Zombie_: Tem lá coisas tão giras.
Grimner: Eis o porquê.
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