O Provincianismo Português
O Provincianismo Português
Aqui vos deixo este texto de Bernardo Soares, tirado do Livro do Desassossego. Aguardo os vossos comentários:
"O PROVINCIANISMO PORTUGUÊS
Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir num síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros países, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.
O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela - em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz.
O síndroma provinciano compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.
Se há característico que imediatamente distinga o provinciano, é a admiração pelos grandes meios. Um parisiense não admira Paris; gosta de Paris. Como há-de admirar aquilo que é parte dele? Ninguém se admira a si mesmo, salvo um paranóico com o delírio das grandezas.
O amor ao progresso e ao moderno é a outra forma do mesmo característico provinciano. Os civilizados criam o progresso, criam a moda, criam a modernidade; por isso lhes não atribuem importância de maior. Ninguém atribui importância ao que produz. Quem não produz é que admira a produção.
É na incapacidade de ironia que reside o traço mais fundo do provincianismo mental. Por ironia entende-se, não o dizer piadas, como se crê nos cafés e nas redacções, mas o dizer uma coisa para dizer o contrário. A essência da ironia consiste em não se poder descobrir o segundo sentido do texto por nenhuma palavra dele, deduzindo-se porém esse segundo sentido do facto de ser impossível dever o texto dizer aquilo que diz.
A ironia é isto. Para a sua realização exige-se um domínio absoluto da expressão, produto de uma cultura intensa; e aquilo a que os ingleses chamam detachment - o poder de afastar-se de si mesmo, de dividir-se em dois, produto daquele «desenvolvimento da largueza de consciência», em que, segundo o historiador alemão Lamprecht, reside a essência da civilização. Para a sua realização exige-se, em outras palavras, o não se ser provinciano.
Para o provincianismo há só uma terapêutica: é o saber que ele existe. O provincianismo vive da inconsciência; de nos supormos civilizados quando o não somos, de nos supormos civilizados precisamente pelas qualidades por que o não somos. O princípio da cura está na consciência da doença, o da verdade no conhecimento do erro. Quando um doido sabe que está doido, já não está doido. Estamos perto de acordar, disse Novalis, quando sonhamos que sonhamos."
"O PROVINCIANISMO PORTUGUÊS
Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir num síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros países, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.
O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela - em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz.
O síndroma provinciano compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.
Se há característico que imediatamente distinga o provinciano, é a admiração pelos grandes meios. Um parisiense não admira Paris; gosta de Paris. Como há-de admirar aquilo que é parte dele? Ninguém se admira a si mesmo, salvo um paranóico com o delírio das grandezas.
O amor ao progresso e ao moderno é a outra forma do mesmo característico provinciano. Os civilizados criam o progresso, criam a moda, criam a modernidade; por isso lhes não atribuem importância de maior. Ninguém atribui importância ao que produz. Quem não produz é que admira a produção.
É na incapacidade de ironia que reside o traço mais fundo do provincianismo mental. Por ironia entende-se, não o dizer piadas, como se crê nos cafés e nas redacções, mas o dizer uma coisa para dizer o contrário. A essência da ironia consiste em não se poder descobrir o segundo sentido do texto por nenhuma palavra dele, deduzindo-se porém esse segundo sentido do facto de ser impossível dever o texto dizer aquilo que diz.
A ironia é isto. Para a sua realização exige-se um domínio absoluto da expressão, produto de uma cultura intensa; e aquilo a que os ingleses chamam detachment - o poder de afastar-se de si mesmo, de dividir-se em dois, produto daquele «desenvolvimento da largueza de consciência», em que, segundo o historiador alemão Lamprecht, reside a essência da civilização. Para a sua realização exige-se, em outras palavras, o não se ser provinciano.
Para o provincianismo há só uma terapêutica: é o saber que ele existe. O provincianismo vive da inconsciência; de nos supormos civilizados quando o não somos, de nos supormos civilizados precisamente pelas qualidades por que o não somos. O princípio da cura está na consciência da doença, o da verdade no conhecimento do erro. Quando um doido sabe que está doido, já não está doido. Estamos perto de acordar, disse Novalis, quando sonhamos que sonhamos."
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Amphion (blackened death metal)
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Eu sou do Porto e admiro o Porto..porque nao haveria de admirar mesmo sendo parte dele?? é burro o homem.... Fodass
entao comparem...somos parte da natureza e nao a podemos admirar..?
Somos parte do universo e nao o podemos contemplar e admirar??
Pura estupidez altiva!! Por vezes nao se enganem com lindos textos cheios de caras palavras pois so iludem..... O resto que diz é pura especulaçao banal!
entao comparem...somos parte da natureza e nao a podemos admirar..?
Somos parte do universo e nao o podemos contemplar e admirar??
Pura estupidez altiva!! Por vezes nao se enganem com lindos textos cheios de caras palavras pois so iludem..... O resto que diz é pura especulaçao banal!
Ehehehe, é sempre bom ouvir uma voz discordante perante alguém tão reconhecido como o pseudo-heterónimo Bernardo Soares.
Louvo o facto de te teres justificado, embora de modo um pouco agreste, sobre o porquê da tua discórdia. No entanto tens que perceber que ali o "admirar" provém de uma espécie de sensação de pequenez, que nos leva a apreciar algo. Por outro lado o "gostar" é outra coisa, pode incluir apreciação, gosto, prazer, mas nunca esse modo pequeno de observar as coisas.
Eu próprio não sei se concordo com o texto, mas estou longe de o achar banal. Para além disso, ele não nos garante que Bernardo Soares é contra o Provinciano. Demonstra sim que é contra o Provinciano que se finge civilizado... ou talvez tudo seja uma ironia contra os que se dizem civilizados..... Não te esqueças que no fim ele fala da arte da ironia!
Louvo o facto de te teres justificado, embora de modo um pouco agreste, sobre o porquê da tua discórdia. No entanto tens que perceber que ali o "admirar" provém de uma espécie de sensação de pequenez, que nos leva a apreciar algo. Por outro lado o "gostar" é outra coisa, pode incluir apreciação, gosto, prazer, mas nunca esse modo pequeno de observar as coisas.
Eu próprio não sei se concordo com o texto, mas estou longe de o achar banal. Para além disso, ele não nos garante que Bernardo Soares é contra o Provinciano. Demonstra sim que é contra o Provinciano que se finge civilizado... ou talvez tudo seja uma ironia contra os que se dizem civilizados..... Não te esqueças que no fim ele fala da arte da ironia!
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Amphion (blackened death metal)
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Para mim, a parte mais importante do texto é o principio.
Cómodo. Simples. Resumido. Bons adjectivos para o texto que se segue.
Talvez isso seja "mal superior português": não reflectir nos assuntos com a profundidade necessária. Não que nos outros paises não ocorra o mesmo. Mas por aqui não nos podemos dar aos mesmos luxos que outros países. E dai.. talvez isto seja uma sobresimplificação do que vai mal por aqui, não?
Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir num síndroma o mal superior português, ...
Cómodo. Simples. Resumido. Bons adjectivos para o texto que se segue.
Talvez isso seja "mal superior português": não reflectir nos assuntos com a profundidade necessária. Não que nos outros paises não ocorra o mesmo. Mas por aqui não nos podemos dar aos mesmos luxos que outros países. E dai.. talvez isto seja uma sobresimplificação do que vai mal por aqui, não?
Things should be made as simple as possible, but not simpler.
Shrödinger's cat has left the building.
When in doubt, ban!
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Mais uma ironia talvez... 
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Eu sei que por vezes é díficil aturar a petulância da geração do Orpheu, mas esta gente era tão genial que eu até perdoo! 
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Tolteca Escreveu:Eu sou do Porto e admiro o Porto..porque nao haveria de admirar mesmo sendo parte dele?? é burro o homem.... Fodass
entao comparem...somos parte da natureza e nao a podemos admirar..?
Somos parte do universo e nao o podemos contemplar e admirar??
Pura estupidez altiva!! Por vezes nao se enganem com lindos textos cheios de caras palavras pois so iludem..... O resto que diz é pura especulaçao banal!
O tolteca é provinciano, ehehehehe!.....
Ahahaha, vem sempre alguém pa descambar esta merda! Tolteca, não respondas a provocações! 
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à luz da época talvez, e é bem verdade que o provincianismo ainda hoje é parte de todas os países (olhem para os estados unidos da américa, o maior país de provincianos do mundo). no entanto, diria q hoje em dia o provincianismo é mais uma ignorancia estupida de quem simplesmente não quer saber porque acha q não precisa de saber nem lhe faria falta saber. não vai contra o q foi dito ai nesse texto, mas acho q n foi abrangido por isso.
e sim, nós somos o país mais provinciano da europa, infelizmente.
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SoND Escreveu:Tolteca Escreveu:Eu sou do Porto e admiro o Porto..porque nao haveria de admirar mesmo sendo parte dele?? é burro o homem.... Fodass
entao comparem...somos parte da natureza e nao a podemos admirar..?
Somos parte do universo e nao o podemos contemplar e admirar??
Pura estupidez altiva!! Por vezes nao se enganem com lindos textos cheios de caras palavras pois so iludem..... O resto que diz é pura especulaçao banal!
O tolteca é provinciano, ehehehehe!.....
Ai ha uns 2000 anos vivi numa provincia sim...recheada de verdes florestas a perder de vista.......campos cultivados pelos meus "crentes"...e gostei muito!!Talvez um dia volte lá como prometi...
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Eu como oriundo da chamda provincia, do interior profundo, não podia estar mais em desacordo.
Provincianismo é o trauma dos que se julgam civilizados, e culpam os "atrasados" e "provincianos" de tudo o que eles não conseguem ver.
Ser provinciano não é ser pequeno, não é ser atrasado culturalmente... Ser provinciano é ainda conseguir ter e atingir certos prazeres, e ter a alegria de poder chegar à Grande Cidade Civilizada e saber que dinheiro, status e cimento não é tudo! É saber que um burro é um burro, e que o leite vem das vacas. É saber que as couves e as batatas não vêm do Continente. Provincianismo não é sinónimo de analfabetismo. Provincianismo não implica atraso por culpa dos que lá moram.
Provincianismo é sim, um trauma dos que vivem na cidade e invejam o sossego da Provincia. Provincianismo é continuar a investir mundos e fundos no litoral e nas grandes cidades. Provincianismo é ter de andar 80 por Espanha, para ir a um Hospital Distrital. Provincianismo é estar mais perto de Madrid, Salamanca ou Valladolid do que do Porto ou Lisboa.
Provincianismo é pensar que um gajo por ser da provincia não pode ter mais de uns certos conhecimentos. É pensar que na Provincia não temos acesso a cultura. É pensar que nível de vida são os Shoppings e o trânsito da VCI ou do IC19 em hora de ponta...
Provincianismo é o trauma dos que se julgam civilizados, e culpam os "atrasados" e "provincianos" de tudo o que eles não conseguem ver.
Ser provinciano não é ser pequeno, não é ser atrasado culturalmente... Ser provinciano é ainda conseguir ter e atingir certos prazeres, e ter a alegria de poder chegar à Grande Cidade Civilizada e saber que dinheiro, status e cimento não é tudo! É saber que um burro é um burro, e que o leite vem das vacas. É saber que as couves e as batatas não vêm do Continente. Provincianismo não é sinónimo de analfabetismo. Provincianismo não implica atraso por culpa dos que lá moram.
Provincianismo é sim, um trauma dos que vivem na cidade e invejam o sossego da Provincia. Provincianismo é continuar a investir mundos e fundos no litoral e nas grandes cidades. Provincianismo é ter de andar 80 por Espanha, para ir a um Hospital Distrital. Provincianismo é estar mais perto de Madrid, Salamanca ou Valladolid do que do Porto ou Lisboa.
Provincianismo é pensar que um gajo por ser da provincia não pode ter mais de uns certos conhecimentos. É pensar que na Provincia não temos acesso a cultura. É pensar que nível de vida são os Shoppings e o trânsito da VCI ou do IC19 em hora de ponta...
Heavy Metal He-Man vs Heavy Metal do Francisco Louçã do Metal Português
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