Capacetes azuis e trabalhadores humanitários trocam alimentos por sexo
A organização humanitária Save The Children denunciou que capacetes azuis estacionados na Libéria e funcionários de várias organizações humanitárias estão alegadamente a trocar comida e outros bens por sexo com meninas em campos de refugiados.
A organização, sedeada em Londres, pediu à ONU e às organizações humanitárias a trabalhar na Libéria para investigarem os alegados crimes sexuais e denunciarem a situação às autoridades liberianas.
A denúncia da organização foi feita após um estudo que inclui entrevistas a 160 crianças e 170 adultos, que vivem em campos de refugiados ou que regressaram recentemente às suas casas.
De acordo com a organização britânica, os entrevistados afirmaram que as raparigas, com idades compreendidas entre os 08 e os 12 anos, têm sexo com homens mais velhos por dinheiro, alimentos e outros bens.
"Baseados nesta informação, parece-nos que muito pouco foi feito para reduzir a exploração e o abuso sexual contra as crianças mais vulneráveis desde 2002", refere a organização.
"É óbvio que os sistemas de monitorização estão a falhar na identificação da verdadeira escala de exploração de crianças", acrescenta.
Os homens mais velhos citados incluem capacetes azuis, funcionários humanitários, professores e outros com poder na comunidade.
O estudo da organização britânica não revela a nacionalidade dos trabalhadores humanitários e dos capacetes azuis alegadamente envolvidos no escândalo.
Cerca de 17.000 soldados da ONU estão estacionados na Libéria para garantir a segurança do país.
A ONU afirmou, por seu lado, que recebeu queixas contra oito funcionários a trabalhar na Libéria por exploração e abuso sexual.
Casos de abuso sexual contra crianças e mulheres foram registados pela ONU no Congo, Bósnia, Kosovo, Cambodja e Timor-Leste.
A guerra na Libéria acabou em 2003 com a deposição do antigo presidente Charles Taylor.
Em Janeiro, Johnson-Sirleaf, a primeira mulher chefe de Estado em África, assumiu as rédeas do país, numa altura em que a Libéria enfrenta uma taxa de desemprego de 80 por cento e milhares de pessoas vivem abaixo do limiar da pobreza extrema, depois de um sangrento conflito que durou 14 anos.
Agência LUSA
Se não podemos confiar em quem tem a missão de nos proteger, podemos confiar em quem?
Porque é que o Homem quando está em posição de vantagem ou de poder em relação a outros Seres Humanos, invariavelmente usa essa vantagem para abusar?
A merecer uma reflexão.