Cinema - "Wassup Rockers - Desafios da Rua"

Intifada
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Cinema - "Wassup Rockers - Desafios da Rua"

Mensagempor Intifada » segunda mai 29, 2006 7:29 pm

O confronto de culturas urbanas conduz o argumento de «Wassup Rockers - Desafios da Rua».
Wassup Rockers - Desafios da rua

Foi com 'Kids', ainda em 95, que Larry Clark impressionou. Com base num romance da sua autoria, revelava um realismo intensamente cru em relação à juventude contemporânea, apesar de o realizador, na altura com 52 anos, já não pertencer a esse universo.
Desde aí, 'Bully' e 'Ken Park', usando a mesma receita, num retrato social extremamente agressivo, tiveram pouco impacto. A vida e os problemas da juventude, que mostra recorrentemente nas suas películas, não voltaram a fazer o mesmo furor.
Agora, o fotógrafo e realizador volta a abordar um grupo de jovens neste novo 'Wassup Rockers'. Mas desta vez, parece deixar de lado a provocação e o choque normalmente presentes nas suas anteriores obras.
O filme começa por apresentar um grupo de jovens hispânicos que, ao contrário da sua vizinhança de South Central em Los Angeles, maioritariamente negra, anda com roupa justa, ouve música punk e traz sempre consigo um skate.
A relação de camaradagem entre o grupo é visível, ainda que por vezes limitada, como refere um dos membros a meio do filme.
Ao longo da história vamos acompanhando o dia e a noite do grupo, que parece não encontrar um local onde possa realmente estar à vontade. Essas dificuldades de integração numa Los Angeles multi-étnica, mas tremendamente fechada em verdadeiros condomínios culturais, acentuam-se numa viagem a Beverly Hills, onde inevitavelmente terão problemas com a polícia, um grupo de meninos ricos e os restantes residentes disfuncionais.
Clark põe em confronto dois bairros de Los Angeles de diferentes estruturas sociais: o perigoso e pobre South Central e o luxuoso e despreocupado Beverly Hills.
Embora mantenha o interesse latente sobre as problemáticas sociais, a violência e a agressividade que caracterizavam normalmente personagens e enredo foram postas de lado, dando lugar a uma visão mais clara e ao mesmo tempo mais intuitiva, deixando espaço à interpretação do espectador.
Apesar de alguns momentos que fazem com que valha a pena ver a película, a opção pelo comum e o abuso do estereótipo representam algumas de um punhado de más escolhas do realizador. Clark, agora com 60 anos, continua a piscar o olho à juventude perdida dos dias de hoje, mas parece estar a cair numa visão cada vez mais superficial, porque distante, dessa realidade


Aconselho a irem ver o filme. Filmado com jovens amadores residentes no bairro de South Central, que possuem uma banda punk/hardcore, podem a assistir a uma actuação da banda num ensaio (real, sem cortes).

O filme vale pelos contrastes brutais de uma grande cidade como L.A. e pela visão algo ingénua dos actores (realizador?) acerca do que os rodeia. E claro, pela banda sonora (com bastantes bandas punk/core mexicanas/latinas).

puto|mokka
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Mensagempor puto|mokka » segunda mai 29, 2006 7:40 pm

Vi uma "apresentação" desse filme num programa dedicado ao cinema na 2:.

Por acaso fiquei interessado em vê-lo.

Razor
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Mensagempor Razor » segunda mai 29, 2006 9:34 pm

As críticas que tenho lido não são lá muito favoráveis: falam basicamente em como o realizador não aprofunda um tema interessante e actual como a recusa dos putos em seguir a mentalidade de gangster do hip-hop, como o resto da carneiragem, e insiste nos estereótipos do polícia mau e dos ricaços racistas de Beverly Hills.
Seja como for, é provável que acabe por ir vê-lo, parece mais interessante do que as coisas que tem estreado.

Anacronica [RIP]

Mensagempor Anacronica [RIP] » segunda mai 29, 2006 10:11 pm

Sair da sala de cinema (onde meia dúzia de interessados espectadores resistiam ainda pela banda sonora que acompanhava os créditos) com a continuação do filme no pensamento, as ideias e os sentimentos a fervilhar só pode significar que foi mais um filme memorável a que tive o privilégio de assistir.

As criticas ao filme só li depois, e sinceramente dizer que o filme exibe uma linearidade de estereótipos como o policia mau ou falar dos miúdos racistas de Beverly H. é porque não se prestou grande atenção ao filme, já que retive muito mais da história do que o mencionado pelos "profissionais". Não existem dois polos no filme, mas sim uma paleta de significados que cabe a cada um de nós retirar.

Como tudo na vida, sujeito ao gosto, interesse de cada um. Mas também recomendo. Viva e entusiasticamente.


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