O confronto de culturas urbanas conduz o argumento de «Wassup Rockers - Desafios da Rua».
Wassup Rockers - Desafios da rua
Foi com 'Kids', ainda em 95, que Larry Clark impressionou. Com base num romance da sua autoria, revelava um realismo intensamente cru em relação à juventude contemporânea, apesar de o realizador, na altura com 52 anos, já não pertencer a esse universo.
Desde aí, 'Bully' e 'Ken Park', usando a mesma receita, num retrato social extremamente agressivo, tiveram pouco impacto. A vida e os problemas da juventude, que mostra recorrentemente nas suas películas, não voltaram a fazer o mesmo furor.
Agora, o fotógrafo e realizador volta a abordar um grupo de jovens neste novo 'Wassup Rockers'. Mas desta vez, parece deixar de lado a provocação e o choque normalmente presentes nas suas anteriores obras.
O filme começa por apresentar um grupo de jovens hispânicos que, ao contrário da sua vizinhança de South Central em Los Angeles, maioritariamente negra, anda com roupa justa, ouve música punk e traz sempre consigo um skate.
A relação de camaradagem entre o grupo é visível, ainda que por vezes limitada, como refere um dos membros a meio do filme.
Ao longo da história vamos acompanhando o dia e a noite do grupo, que parece não encontrar um local onde possa realmente estar à vontade. Essas dificuldades de integração numa Los Angeles multi-étnica, mas tremendamente fechada em verdadeiros condomínios culturais, acentuam-se numa viagem a Beverly Hills, onde inevitavelmente terão problemas com a polícia, um grupo de meninos ricos e os restantes residentes disfuncionais.
Clark põe em confronto dois bairros de Los Angeles de diferentes estruturas sociais: o perigoso e pobre South Central e o luxuoso e despreocupado Beverly Hills.
Embora mantenha o interesse latente sobre as problemáticas sociais, a violência e a agressividade que caracterizavam normalmente personagens e enredo foram postas de lado, dando lugar a uma visão mais clara e ao mesmo tempo mais intuitiva, deixando espaço à interpretação do espectador.
Apesar de alguns momentos que fazem com que valha a pena ver a película, a opção pelo comum e o abuso do estereótipo representam algumas de um punhado de más escolhas do realizador. Clark, agora com 60 anos, continua a piscar o olho à juventude perdida dos dias de hoje, mas parece estar a cair numa visão cada vez mais superficial, porque distante, dessa realidade
Aconselho a irem ver o filme. Filmado com jovens amadores residentes no bairro de South Central, que possuem uma banda punk/hardcore, podem a assistir a uma actuação da banda num ensaio (real, sem cortes).
O filme vale pelos contrastes brutais de uma grande cidade como L.A. e pela visão algo ingénua dos actores (realizador?) acerca do que os rodeia. E claro, pela banda sonora (com bastantes bandas punk/core mexicanas/latinas).