Karnak Seti - "In Harmonic Entropy" (2011)

Pintelho
Metálico(a) Supremo(a)
Mensagens: 889
Registado: quarta set 21, 2005 6:33 pm
Localização: Braga
Contacto:

Karnak Seti - "In Harmonic Entropy" (2011)

Mensagempor Pintelho » segunda dez 26, 2011 12:41 pm

Apesar de já ter recebido a rodela vai para umas semanas, apenas hoje estou a conseguir ouvir o disco dos Karnak Seti, banda madeirense de Death Metal melódico que, ao longo dos últimos anos, tem vindo a quebrar, paulatinamente, as barreiras colocadas pelo Atlântico.
Em mais um álbum gravado nos USS Braga, cada vez mais uma referência no estilo, com gravação a cargo de Pedro Mendes e Produção de Daniel Cardoso, não estaríamos à espera de um som duvidoso. E o primeiro tema, Long Gone Shadow, desde logo nos retira quaisquer dúvidas. Um som equilibrado e consistente, com guitarras "à lá The Haunted" no que à sonoridade diz respeito - sujas mas suficientemente definidas para nenhum detalhe escapar.
Este primeiro tema, abre em toada melódica o disco e, desde logo, apresenta o trabalho vocal de Luís Erre, o primeiro deste camarada em estúdio. A voz, aguerrida, não perde nem por momentos a perceptibilidade. Excelente trabalho, de início ao fim, do "rookie" da banda.
O senhor que se segue dá pelo nome de Only Red Mist Descends e, logo no primeiro riff, leva o ouvinte a uns Arch Enemy de tempos idos. Logo de seguida abandona este registo, aumenta o ritmo do disco e tráz o primeiro solo de Pedro Mendes, curto e grosso, cheio de harmonia. Cheia de melodia, por outro lado, é a prestação vocal de Daniel Cardoso, que empresta um toque extra de genialidade ao tema.
Ao terceiro tema, Loss, já o tempo está em "velocidade-cruzeiro", e aqui e ali começa a cheirar a Heaven Shall Burn ou As I Lay Dying, mas por pouco tempo. A banda construiu um som que, ao longo dos álbuns, e se ignorarmos as óbvias diferenças na voz, se começa a tornar identificável. "Isto é Karnak Seti".
De seguida avançamos para Among the Sleepless, um dos temas avançados antes do lançamento do disco. Neste tema contamos com as guitarras provavelmente mais sujas do disco, e uma melodia catchy, emprestada pela voz de Daniel Cardoso, que teima em ficar no ouvido, e a ser trauteada. Boa escolha para single.
EM Golden Age of Downfalls parece-nos que estamos a ouvir um tema dos bons velhos tempos de In Flames, alargando ligeiramente o espectro de sonoridades que se fazem ouvir no disco. Este tema conta com aquele que será, provavelmente, os melhores momentos rítmicos do álbum, bem ao gosto dos headbangers, bem como alguns dos melhores apontamentos de Juan Pestana, teclista que, de resto, acompanha todo o álbum.
Luctor et emergo volta a subir o tempo, subindo também a agressividade da coisa. Novamente a harmonia de guitarras marca presença, culminando com mais um solo do Pedro Mendes, verdadeiro guitar hero nacional. Nota para a voz no refrão do tema. Muito bom.
De seguida contamos com Stranded by Existence, numa toada morna e com uns teclados quase industriais. Um tema para tomar fôlego, mas com riffs muito bem conseguidos.
Figureless Icons é o tema que antecede o final do disco, com uma bateria a tornar tudo muito mais marcado e agressivo, num trabalho de que, aliás, Luís Barreto se deve orgulhar. Também assinalável ao longo de toda a rodela é o trabalho do baixo de Xouda, responsável por um ambiente pesado e coeso, mesmo quando as guitarras de Tó Jesus e Reno se encontram harmonizadas. Os madeirenses, músicos competentes provam, com este disco, que amadureceram como músicos mas, sobretudo, como colectivo.
A fechar com chave de ouro, a banda apresenta-nos Collateral Dreams, um tema ritmicamente muito marcado, e que nos apresenta outra voz já conhecida do Underground nacional. A presença de Shore, dos The Ransack, acaba por emprestar alguma agressividade à voz de Erre, complementando-se os dois registos num ambiente quase massacrante para quem o ouve, sendo atacado em duas frentes. No final, com uma harmonia de guitarras limpas que faz prever que estamos para acabar, ainda somos surpreendidos por mais um momento de rara melodia no death metal, com as guitarras e o teclado a criarem um ambiente de despedida apreciável. E é com este ambiente que o fade out fecha o disco.

No final do álbum, apenas fica a sensação de este ser um pouco mais repetitivo que o seu antecessor, apesar da diversidade de propostas apresentadas ,e das influências, mais ou menos óbvias, aqui e ali, o que não invalida que este seja, no final da digestão, um dos últimos grandes discos de 2011. Notável evolução dos madeirenses.

Venham mais destes, aí do meio do atlântico.

SolitudeAeternus
Metálico(a) Compulsivo(a)
Mensagens: 470
Registado: terça jul 08, 2008 6:46 pm
Localização: Setúbal, Portugal
Contacto:

Re: Karnak Seti - "In Harmonic Entropy" (2011)

Mensagempor SolitudeAeternus » segunda jan 30, 2012 11:23 am

Karnak Seti - "In Harmonic Entropy" (2011)

"A Madeira não é das regiões mais profícuas no que à música pesada diz respeito, sendo que os nomes mais conhecidos serão mesmo os Requiem Laus, os já extintos Incógnita e os Karnak Seti que têm em "In Harmonic Entropy" o seu último lançamento. O facto de estarem (mais) isolados do resto do mundo do que se estivessem no continente já não é decisivo nos dias que correm. Pelo menos, não o é para os Karnak Seti, que dois anos após o álbum de estreia "Scars Of Your Decay", surgem com o segundo álbum, lançado de forma independente.
Os dois singles de avanço, "Among The Sleepless" e "Only Red Mist Descends", dão boas indicações de que o death metal melódico da banda continua com altíssima qualidade, assim como a produção, mais uma vez a cargo de Daniel Cardoso nos cada vez mais incontornáveis UltrasoundStudios, continua forte e perfeita para este estilo de som. Ao ouvir o álbum todo, a primeira coisa que sobressai é que os Karnak Seti, apesar de todas as dificuldades que advém do facto de serem da Madeira e não terem editora, não os impediram de reunirem um bom conjunto de músicas e de continuarem a lutar pela causa que acreditam. Temos então sete temas novos e duas regravações - os dois temas finais, "Figureless Icons" e "Collateral Dreams" e uma aproximação mais melódica que anteriormente ao seu death metal, sendo que a sua identidade e integridade não saem beliscadas por este facto. As vozes limpas que surgem trazem mais dinâmica às músicas embora de certeza que irão surgir com dedos em riste acusando-os de querer embarcar no comboio do metalcore.
Como já disse, e apesar das diferenças em relação ao primeiro trabalho, já se pode dizer que a banda tem um som característico, apesar de não se poder dizer que este álbum é original no som ou nas ideias que apresenta. Essa é uma questão que se torna pouco importante quando a qualidade das músicas não deixa espaço ou razão para questões secundárias. Nem todos os álbuns e nem todas as grupos podem (ou sequer devem) ser revolucionários, há aqueles que têm "apenas" como missão dar-nos boa música. Nos dias que correm, diria que é uma missão sagrada.
A entrada melódica de "Long Gone Shadow", que inicia o álbum, é uma bela demonstração de como é possível o death metal ter melodias marcantes e mesmo assim ser intenso. Ritmos marcantes, alguns pormenores de electrónica nos versos, melodias maidenianas (como quase todo o death metal melódico), solo inspirado e cheio de feeling. Um dos singles, a já mencionada "Only Red Mist Descends" é a primeira a conter as já mencionadas vozes limpas presentes no refrão. A curiosidade é que as vozes limpas são cortesia de Daniel Cardoso e resultam na perfeição, acrescentando algo de valor à música. (...)"

Ler a review completa em: http://www.metalimperium.com/2012/01/ka ... eview.html


Voltar para “Arquivo 2012 - 2003”

Quem está ligado:

Utilizadores neste fórum: Nenhum utilizador registado e 1 visitante