
TEMAS :
1. Through The Eyes
2. Entering Darkness
3. Convulse To Reign
4. Substance
5. These Chains
6. Path To Oblivion
Georges Balafas - Vocais
Max Hedin - Guitarra
Guillaume Taliercio - Guitarra
Stéphane Rivière - Baixo
Jerome Lachaud - Bateria
Um dos melhores trabalhos do ano, tem a marca dos franceses Eibon! Essa mesma França, que como já devem saber os mais "batidos" nestas lides, é um dos melhores e mais produtivos berços de extremismo musical no momento actual.
Não há novidade na abordagem misturada que fazem na sua música: Sludge, Doom e pinceladas de Black Metal crú. Já existem algumas e excelentes bandas a produzir "mutantes" musicais deste calibre por aí, e com excelentes resultados.
Mas penso que uma das grandes diferenças que colocam estes franceses no patamar de excelência radica na execução musical! Aqui se separa o normal do absolutamente surreal.
Colossais em peso basculante, trituradores em atmosfera sufocante, são ainda sinistramente neuróticos na abordagem que fazem à sua música.
A sensação com que fico de cada vez que escuto este trabalho, é a de densidade e profundidade terríveis mas estranhamente "palpáveis". De uma escuridão "viva", fria e claustrofóbica, capaz de envergonhar tantas e tantas bandas que por aí existem e que se julgam macabras e sinistras!
"Entering darkness" assume-se também, com suprema mestria, como uma obra atmosférica. Cria todas as condições para tal facto, com a duração das faixas quase sempre próximas dos 10 minutos, com a quase absurda tendência para nos agarrar pelo pescoço e nos mostrar que aqui não existem dias de luz, que é sinistro, denso e esmagador.
Atmosferas com mudanças rituais e hipnóticas de ritmo, podemos passear por passagens acústicas sinuosas, quase primárias, para depois "explodirmos" numa dose de intensidade impenetrável, furiosa e rouca. O tema "Convulse To Reign" é disso demonstração: distorcido, paranóico, surreal...
Ainda a propósito de temas, destacaria, se me permitem a ousadia, dois temas desta paleta de cores geladas:
"Substance", com a sua "intro" serena e inquietante, e a sua explosão de potência pura. Relembram-nos que este tipo de música extrema não é meramente brutalidade. Ultrapassa tal conceito recriando ambientes ora lentos à exaustão, ora insanos no seu peso demolidor.
Esta faixa retrata um facto simples e intratável: Existência, mesmo com ausência de luz. Sem lirismos ou parolice, é o que sinto.
Raramente nos deixa descansar. Um pesadelo auditivo, rico e monstruoso!
A outra faixa a que me refiro, "Path To Oblivion", exemplifica o que disse antes, capacidade de execução mestra, vocais tensos e em espasmos. Mudanças rítmicas de cortar à faca. Este tema é obscenamente hipnótico, estranhamente apaziguador na sua natureza única...É quase tribal. Arrebata os sentidos!
Uma jóia rica que brilha com um brilho único. Tomem nota destes SENHORES!!
