...e o prémio de foda-se como é que esta merda me passou ao lado no ano passado vai para:
Os germanicos Bad Luck Rides On Wheel são uma banda tipo caranguejo, explico:
Recomendaram-me o novo split com os franceses Aguirre e como desconhecia ambas as bandas fui (como geralmente acabo por fazer) ouvir, mas sinceramente não me abriu muito o apetite, não que Aguirre (já vamos a BLROW) seja um mau projeto porque até nem é mas dentro do estilo encontram-se cenas bem mais inspiradas, mas mesmo assim nota-se que a banda poderá explodir num dos proximos trabalhos..
BLROW, bem os alemães aqui, apesar de ter gostado um pouco mais deixaram-me bem mais curioso...curiosidade essa que se materializou numas escutas mais em mode repeat dos 3 temas do que os outros.
Embora envolvidos numa base algo leve de Post-Doom não era nada de mais, mas não sei porquê havia algo que me puxava para banda...e foi investigar mais a serio...
E em boa hora o fiz, porque o anterior e homonimo album é uma cena completamente fucking great, que me deixou ou melhor anda a deixar completamente vidrado.
E é aqui que entra a tal cena que falei na primeira frase ou seja como é que uma banda que lança um colossal album como este depois mostra aqueles temas no split que agora me soam completamente banais?
Misterio ou não a banda lá sabe as portas por onde quer entrar...mas porra existem coisas que ou são obra do acaso ou então...ou então não sei.
Vamos ao album?
Bem este album não é novo (edição de 09) mas é mais um daqueles raros casos onde vou buscar cenas que considero realmente grandiosas e que merecem ser divulgadas a qualquer altura..
A banda é formada por 4 musicos, um dos quais com o curioso nome de Rui Costa (vocalista e guitarrista), o que para uma banda alemã tem o seu quê de engraçado, desconheço a nacionalidade do rapaz, mas na volta até é um emigrante português..
Mas fora estes fait divers que acabam por não ter muito valor, segue-se a musica que é isso que realmente aqui importa.
A sonoridade que a banda aqui oferece é Sludge|Doom da (acho que posso usar o termo) velha guarda.
Os temas pegam de estaca e exploram aqueles territorios mais peganhentos do estilo, o peso tem um papel primordial e a banda nem precisa de entrar num dominio mais desacelarado e viajante para conseguir acalmar as coisas a quem ouve o album, porque o peso está sempre lá seja tocado numa linha Amebix seja quando se aproximam numa especie de Sludge|DM mais liberto...alias as proprias vocalização lembram em determinadas alturas o Tardy (a cantar, não a berrar!) misturado com um qualquer tipico berrador pantanoso.
Por falar nas vozes outro aspeto delicioso é o uso de uma especie de throat singing ao longo de varios temas aqui presentes, bem T.S. talvez até nem seja a melhor definição, já que isto mais parece entrar no lado mais etnico vindo do Japão ou Medio-Oriente do que propriamente dos lados do Evareste ou talvez até esteja enganado..escutem por exemplo o inicio da Lost/Kept e ao longo da excelente Shrapnel #6.
Musicas potentes, envolventes, tanto no campo mais simples e direto como a Breathe, Lost/Kept, ou na Negotiate, como nas autenticas perolas sonoras que dão pelo titulo de Shrapnel #6 e Devide até acabar numa monumental peça de 15 minutos chamada Garden of Bones (que se transforma em algo de colossal a medida que se vai ouvindo).
Como já deu para perceber este album está a ser visto e revisto de uma forma bem especial por estes lados, porque existe aqui muita coisa para descobrir e sentir ao longo de mais de uma hora de escuta, que é o tempo que demora a roda a acabar o circulo..
O que me deixa a pensar é onde andou esta banda...e pior como é que depois de um album brutal como este mostra agora aqueles temas tão sem sal no tal split com Aguirre quando comparados com este monstro em queda livre..
Bad Luck Rides on Wheels - "Bad Luck Rides On Wheels"
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