
Se existe uma banda que é realmente ignorada em Portugal são os Circle of Ouroborus. Passaram já 3-4 anos que comprei o split CD com os agora conhecidos Urfaust. A banda na altura tinha um som muito simples (1 guitarra, baixo a fazer peso, bateria com ritmos básicos), contudo tinha uma voz realmente diferente (e bastante intragável para muito). Não sei bem porque desde o primeiro instante que adorei a banda.
O Tempo passou e a banda foi incorporando cada vez mais elementos exóticos na sua musica (com uma produção muito fundo do poço, mas um fundo do poço completamente diferente de Darkthrone, um poço com uma aura de sonho). Com lançamentos completamente acústicos ou simplesmente com ambientes mais ambientais a banda foi crescendo, o vocalista foi desafinando cada vez menos e ganhando já alguma "classe" no estilo vocal (algo que n mudou mto em mim, dado eu ter adorado já a voz no split CD com Urfaust).
É quase impossível acompanhar esta banda assiduamente, especialmente eles que não gostam muito de dar nas vistas em termos de promoção. Chamaram mais à atenção ao ter lançamentos privados e os públicos algo limitados.
Desliguei-me um bocado da banda depois de ter ouvido o Veneration(que ouvi dps do Streams) e ouvi na diagonal o Golden Blood. Hoje ouvi o Tree of Knowlege e fiquei bastante impressionado com a criatividade espiritual (hard to explain) que existe nesta banda.
Se estão à espera de riffs inovadores e passagens com grandes mudanças de tempo, cheios de ambientes complexos ou Xasthuricos......isto não é realmente para vocês.
Aqui encontram-se riffs simples que respiram bastante bem através da produção onírica apresentada. Já com algumas camadas de leads (guitarras, piano/sintetizador e algumas coisas que não consigo saber ao certo) e uma bateria bem mais variada, mas sempre simples e no plano de fundo. Os riffs da escola do Punk/BM continuam lá atrás e agora mais do que nunca estão misturados em ambientes que considero quase post-rock/indie(?)/whatever it is it's not metal but I like it a lot!.
A meu ver Nuit Noire tentou ser este tipo de banda, mas falhou por completo. Embora depois de ouvir este álbum venha a entender melhor os Nuit Noire (fase pós demo).
Não é um marco na história do BM, não é um álbum para impressionar. É apenas uma refratação humilde de uma sessão espiritual em que a linguagem é musica - e é algo bastante desprezado no mundo do BM (actual) o que me faz muita confusão, dado o BM existir com o objectivo de tocar num plano espiritual/transcender através da sua verdade.
Sem querer ser arrogante. Duvido que muitos gostem disto! Eu cá adoro e para mim aqui está a chave para um possível futuro do BM (uma faceta).
Quando se fala em um projecto experimental, esperamos sempre ideias novas mas algo desconexas. Neste caso a banda mostra uma coesão incrível com a sua experimentação. E um estilo de música intolerante, banhado no seu próprio ódio à vida viu o seu futuro.
