Griftegård - "Solemn, Sacred, Severe"

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Sethlad
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Griftegård - "Solemn, Sacred, Severe"

Mensagempor Sethlad » quinta set 24, 2009 7:09 pm

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Tracklist:
1. Charles Taze Russell 09:29
2. Punishment & Ordeal 11:39
3. I Refuse These Ashes 07:32
4. Noah's Hands 04:40
5. The Mire 07:17
6. Drunk with Wormwood 05:47

Depois do excelente EP Psalm Bok, os Suecos Griftegård lançam agora o seu primeiro álbum com o apropriadíssimo título de Solemn, Sacred, Severe, e a verdade é que a minha crítica deste álbum se poderia resumir perfeitamente a estes tres adjectivos. Solene. Sagrado. Severo.

Solene porque aqui a seriedad reina. Ao contrário do que passa com a maioria das bandas de doom clássico, por exemplo os geniais Reverend Bizarre, aquí não há um unico momento de diversão, de ligeireza. Esqueçam os riffs rock n' roll mais mexidos, os "uh" da praxe e as letras auto-referentes cheias de menções tongue-in-cheek. Nada disso. Aqui tudo é muito sério e respeitável, sem lugar a brincadeiras.

Sagrado porque o tema das letras da banda segue a temática "religiosa" do EP. Repete-se a música "dedicada" a Charles Taze Russel (o demente fundador das testemunhas de jeová) que já figurava em Psalm Bok e as demais letras não destoam: Punishment & Ordeal (sobre o sofrimento inerente que Deus exige a quem o segue, o seu filho incluido), I Refuse these Ashes (mais ambígua, mas de cariz indubitavelmente existencial e com refências a uma possível vida eterna), Noah's Hands (sobre o nosso amigo Noé), The Mire (sobre um pedido de ajuda retribuído com mais dor) e Drunk With Wormood (que conta como Jesus morre no interior, enquanto Judas segue vivo). Dor, sofrimento, resignação, impotência, castigo, tristeza... sim, sem dúvida falamos de religião.

Severo porque, tal como quando falava do seu tom solene, não existe neste álbum o mais mínimo resquício de luz, de esperança. Tudo é negro, tudo é desespero, sem saída e sem resposta deste Deus severo tão amíude interpelado e que jamais dá sinal da sua bondade. Os riffs severos, lentos, pesados apesar de ocasionalmente melódicos. A voz severa, no seu registo mais sofrido e rouco, longe das vozes cristalinas de outras bandas do estilo.

Um álbum que nunca acelera além do muito lento. Que nunca sobe acima do deprimente. Que nunca nos deixa sorrir, nem por um segundo.

Pontos negativos (que também os tem): uma produção que talvez podia ser mais escura, mais suja e mais pesada (como a música). Talvez com mais layers de guitarra (nem que fosse a fazer o mesmo), já que às vezes a parede de som parece ser muito, muito fininha acabando por retirar algum impacto às músicas.

Em suma: altamente recomendado para fãs do estilo.

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Grimner
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Re: Griftegård - "Solemn, Sacred, Severe"

Mensagempor Grimner » quinta set 24, 2009 7:43 pm

Acho que não tenho nada a acrescentar ao que disseste. Até mesmo na critica às guitarras, que no EP pareciam-me ter mais alguma força. Fora isso, já imaginava que o album ia estar no meu top 5. Não sabia era que se arriscava a destronar o meu até agora favorito Memória Vetusta II.
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Re: Griftegård - "Solemn, Sacred, Severe"

Mensagempor Zyklon » quinta set 24, 2009 8:09 pm

Já o tinha aqui,mas só o ouvi hoje.
Está bastante interessante sim....boa review Seth..

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Sethlad
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Re: Griftegård - "Solemn, Sacred, Severe"

Mensagempor Sethlad » quinta set 24, 2009 8:53 pm

Grimner Escreveu:Acho que não tenho nada a acrescentar ao que disseste. Até mesmo na critica às guitarras, que no EP pareciam-me ter mais alguma força. Fora isso, já imaginava que o album ia estar no meu top 5. Não sabia era que se arriscava a destronar o meu até agora favorito Memória Vetusta II.


Sim. A verdade é que o meu primeiro impacto até nem foi positivo, porque começa com a Charles Taze Russel e o primeiro que pensei foi "foda-se... as guitarras perderam bué força", mas depois com mais audições e músicas como a The Mire conquistaram-me.

Está muito bom, tenho as minhas dúvidas que entre no meu "top 5" do ano (é um excelente ano), mas é indubitavelmente dos melhores lançamentos do estilo nos últimos tempo.

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Re: Griftegård - "Solemn, Sacred, Severe"

Mensagempor Grimner » quinta set 24, 2009 9:35 pm

A charles, sinceramente, prefiro a versão de EP. Mas até tendo em conta a minha fome por este estilo e a falta de oferta, encantei-me pelo album e pela solenidade do conceito. Algures no fundo, está uma procissão de flagelantes, um Cavaleiro joga xadrez com a Morte, e a Negra caminha na praia...
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Re: Griftegård - "Solemn, Sacred, Severe"

Mensagempor pluribus » segunda out 05, 2009 12:14 am

ainda nao ouvi
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Re: Griftegård - "Solemn, Sacred, Severe"

Mensagempor paulo figueiredo [RIP 2011/02/27] » quinta nov 26, 2009 7:55 pm

"...Não custa (...) imaginar este como o natural sucessor de «Epicus Doomicus Metallicus», seja numa «The Mire» de revirar os olhos com aquele riff à «Demons Gate», na introdutória «Charles Taze Russell» (acerca do fundador das Testemunhas de Jeová, aliás todo o álbum gira à volta do conceito religião) ou na prestação brilhante do vocalista Thomas Eriksson em «I Refuse These Ashes», os Griftegard provam que é possível escrever música lentíssima sem nunca perder dinâmica (ouçam a incrível «Drunk With Wormwood»), antes hipnotizando o ouvinte atraíndo-o para uma espiral de melancolia que apetece repetir várias vezes. «Solemn, Sacred, Severe» tem mesmo essa capacidade de nos tornar indivíduos masoquistas, sedentos de mais um spin pelo estado misantrópico que o ambiente avassalador do disco proporciona..."
in http://eventhorizon-space.blogspot.com/2009/11/griftegard-solemn-sacred-severe.html

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Re: Griftegård - "Solemn, Sacred, Severe"

Mensagempor Grimner » sexta nov 27, 2009 12:06 am

pluribus Escreveu:ainda nao ouvi



É indispensável.


E paulo, não só a Charles Taze Russell gira à volta do tema das testemunhas de Jeová, como o Ola foi uma durante 13 anos antes de negar a religião.


De resto, volto a repetir, pode nem ser o melhor álbum do ano, mas são a revelação, para mim. Há muito poucas bandas a cantar e a tocar com esta alma.
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paulo figueiredo [RIP 2011/02/27]

Re: Griftegård - "Solemn, Sacred, Severe"

Mensagempor paulo figueiredo [RIP 2011/02/27] » sexta nov 27, 2009 12:10 am

Grimner Escreveu:

E paulo, não só a Charles Taze Russell gira à volta do tema das testemunhas de Jeová, como o Ola foi uma durante 13 anos antes de negar a religião.




Sim sim... já tinha corrigido entretanto. ..."aliás todo o álbum gira à volta do conceito religião"...

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Re: Griftegård - "Solemn, Sacred, Severe"

Mensagempor LeadAether [RIP 2010/09/12] » terça dez 01, 2009 4:31 pm

"Solemn, Sacred, Severe" acho difícil que isto seja, com uma voz destas. Na minha opinião, Isole ultrapassa-os, pelo menos, em solenidade e severidade: guitarras mais pesadas e voz menos hévimeca.

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Re: Griftegård - "Solemn, Sacred, Severe"

Mensagempor Sethlad » terça dez 01, 2009 4:47 pm

LeadAether Escreveu:"Solemn, Sacred, Severe" acho difícil que isto seja, com uma voz destas. Na minha opinião, Isole ultrapassa-os, pelo menos, em solenidade e severidade: guitarras mais pesadas e voz menos hévimeca.


Opinions, opinions...

No entanto dizer que uma voz não pode ser "solene, sagrada ou sever" só por ser "hévimeca" parece-me tão absurdo como dizer que uma guitarra não pode ser melancólica por ter distorção ou que um quadro não pode ser depressivo por ter cores...

Não conheço o suficiente de Isole para comparar, mas pelo pouco que ouvi (soa bem) parece-me bastante mais emotiva e desgarrada a voz do Thomas de Griftegard.

Anyway, opinions opinions... :)

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Re: Griftegård - "Solemn, Sacred, Severe"

Mensagempor Grimner » quarta dez 02, 2009 2:43 am

LeadAether Escreveu:"Solemn, Sacred, Severe" acho difícil que isto seja, com uma voz destas. Na minha opinião, Isole ultrapassa-os, pelo menos, em solenidade e severidade: guitarras mais pesadas e voz menos hévimeca.




Se abres a porta às comparações...


Não só a voz de Isole é pelo menos tão "hévimeca" (já agora, desde quando soar a Metal é algo mau???), como alterna entre o lamechas sem grande alcance, e o grunhido Monstro das Bolachas completamente desprovido de garra. Simplesmente, está lá. As guitarras, são o riff "fácil" que Draconian, My Dying Bride e assim também exploram, que confundem o ser melancólico com a lamechice gó. Doom é sentimento, não meia dúzia de escalas menores.
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LeadAether [RIP 2010/09/12]

Re: Griftegård - "Solemn, Sacred, Severe"

Mensagempor LeadAether [RIP 2010/09/12] » quarta dez 02, 2009 12:14 pm

Com o "hevimeca" referia-me a ser uma voz demasiado aguda para o meu gosto, como por exemplo Warning, WHW, Sorcerer, o que, para mim, tira alguma "pica": estou a ouvir Doom e às tantas sai-me um falsete. Por isso comparei com Isole, em que a voz também é "hevimeca", mas mais grave, que aos meus ouvidos soa mais negro (se Isole é lamechas então WHW e Warning são o quê?). Mas também não é por isso que deixo de gostar dum álbum como o "Chapter VI" de Candlemass; só que ouvi recentemente esse vocalista a cantar a "Solitude", no DVD de aniversário, e não tem a força do 1º vocalista, nem do Messiah, que nem são vocalistas muito "graves"; se tivesse conhecido Candlemass com esse vocalista não teria tido metade do impacto.

Se Doom é sentimento e não meia dúzia de escalas menores já me ultrapassa porque: 1) não sou teórico da música, nem coleccionador de discos, pelo que para mim até podem estar a tocar na escala 29ª ao quadrado e serem grandes músicos, que eu só compro se me disser alguma coisa; 2) para ti este álbum tem "sentimento", para mim eu diria isso dum álbum como "A calling to weakness" de Canaan, ou o último de Mournful Congregation, ou o álbum de Ras Algehti (que até tinha pregos lá no meio).

Para concluir, voltando ao tópico: isto não é mau, não desgosto, mas para o meu gosto a voz podia ser mais "negra".


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