
Tracklist:
1. Charles Taze Russell 09:29
2. Punishment & Ordeal 11:39
3. I Refuse These Ashes 07:32
4. Noah's Hands 04:40
5. The Mire 07:17
6. Drunk with Wormwood 05:47
Depois do excelente EP Psalm Bok, os Suecos Griftegård lançam agora o seu primeiro álbum com o apropriadíssimo título de Solemn, Sacred, Severe, e a verdade é que a minha crítica deste álbum se poderia resumir perfeitamente a estes tres adjectivos. Solene. Sagrado. Severo.
Solene porque aqui a seriedad reina. Ao contrário do que passa com a maioria das bandas de doom clássico, por exemplo os geniais Reverend Bizarre, aquí não há um unico momento de diversão, de ligeireza. Esqueçam os riffs rock n' roll mais mexidos, os "uh" da praxe e as letras auto-referentes cheias de menções tongue-in-cheek. Nada disso. Aqui tudo é muito sério e respeitável, sem lugar a brincadeiras.
Sagrado porque o tema das letras da banda segue a temática "religiosa" do EP. Repete-se a música "dedicada" a Charles Taze Russel (o demente fundador das testemunhas de jeová) que já figurava em Psalm Bok e as demais letras não destoam: Punishment & Ordeal (sobre o sofrimento inerente que Deus exige a quem o segue, o seu filho incluido), I Refuse these Ashes (mais ambígua, mas de cariz indubitavelmente existencial e com refências a uma possível vida eterna), Noah's Hands (sobre o nosso amigo Noé), The Mire (sobre um pedido de ajuda retribuído com mais dor) e Drunk With Wormood (que conta como Jesus morre no interior, enquanto Judas segue vivo). Dor, sofrimento, resignação, impotência, castigo, tristeza... sim, sem dúvida falamos de religião.
Severo porque, tal como quando falava do seu tom solene, não existe neste álbum o mais mínimo resquício de luz, de esperança. Tudo é negro, tudo é desespero, sem saída e sem resposta deste Deus severo tão amíude interpelado e que jamais dá sinal da sua bondade. Os riffs severos, lentos, pesados apesar de ocasionalmente melódicos. A voz severa, no seu registo mais sofrido e rouco, longe das vozes cristalinas de outras bandas do estilo.
Um álbum que nunca acelera além do muito lento. Que nunca sobe acima do deprimente. Que nunca nos deixa sorrir, nem por um segundo.
Pontos negativos (que também os tem): uma produção que talvez podia ser mais escura, mais suja e mais pesada (como a música). Talvez com mais layers de guitarra (nem que fosse a fazer o mesmo), já que às vezes a parede de som parece ser muito, muito fininha acabando por retirar algum impacto às músicas.
Em suma: altamente recomendado para fãs do estilo.
