
Descobri os Asva poucas semanas antes de saber que iriam ao Barroselas, através da Terrorizer. Estava a ver os Tops de 2008 e encontrei lá o Top do José Carlos Santos, por quem eu nutro um certo apreço. Ao ver lá Asva com este álbum decidi obviamente ver de que se tratava e após uma primeira audição constatei que de facto se trata de um trabalho fabuloso.
Asva é uma banda que conta/contou com vários membros ilustres de bandas de qualidade inquestionável como Sunn O))), Faith No More, Wolves in the Throne Room e mais umas. O estilo tocado por eles é um drone/doom com requintes electrónicos muitíssimo interessantes, que tornam a sua sonoridade bastante peculiar (pessoalmente nunca tinha ouvido algo assim parecido, mas também não sou a pessoa ideal para fazer o tipo de juízos que poderia definir esta sonoridade como "única").
"What You Don't Know is Frontier" é uma maratona droniana de contornos assombrosos e que se inicia com duas faixas que dão o mote para o resto do álbum conseguindo criar um suspense sustendado por longas linhas de baixo pautadas por arranjos electrónicos que diria, quase orquestrais e ajudados por uma bateria que ecoa pesadamente pelo ar. "A Game In Hell, Hard Work In Heaven", a terceira incursão neste estilo, apresenta duas enormes surpresas constituídas por uma surpreendente performance vocal (a única em todo o álbum) feminina que parece ter uma suava inclinação africana ou asiática, não sei definir bem. Lá mais para o fim somos confrontados uma explosão de sensibilidade quase "black metaliana", agarrando o ouvinte pelas partes baixas.
"A Trap For Judges" é a amostra final do álbum que por esta altura já se avizinha como um clássico, começando de modo discreto, embora gradualmente evoluindo com demonstrações distorcidas de guitarra emparelhadas com mais pormenores electrónicos e terminando com teclados majestosos e épicos a fazer lembrar os momentos finais da conhecida faixa clássica de 2001: Odisseia no Espaço (que não me lembro do nome agora, infelizmente, mas que penso ser de Richard Strauss).
O que achei espectacular mesmo foi este álbum ser capaz de agarrar o ouvinte de uma maneira delicada sem nunca o deixar perder-se, conseguindo manter a atenção durante mais de uma hora, o que para algumas pessoas pode ser difícil, dado a sonoridade relativamente monótona do drone.
Mais alguém ficou de queixo caído ao ouvir isto?
Ouvir estas faixas ao vivo no Barroselas este ano promete vir a ser algo de verdadeiramente inesquecível.
http://www.myspace.com/asvaband
