
Com Transcendental em 2006, os húngaro-britânicos deixaram bem claro que são um grupo de metaleiros que gostam de... Jazz.
Depois de um álbum de estreia muito bem recebido pelo público e pela crítica especializada, e de algumas passagens pelos palcos - partilhados em
tour com os monstros Emperor ou em festivais com bandas como Dream Theater e Ensiferum - poderia recear-se que a sua música, apesar de interessante, se poderia
tornar aborrecida se a fórmula fosse repetida numa cópia exacta. Inicia-se a audição de Delusions e constata-se que tal não aconteceu.
É facto que já algumas, ou até bastantes, bandas misturaram à sua receita de peso o ingrediente jazzy, mas poucas o fazem com a classe destes To-Mera, numa
mistura de metal sobretudo progressivo que chega a alimentar-se em algum thrash ao qual são juntadas enormes influências de um jazz sublime e elegante num
ambiente por vezes mais escuro. Há mesmo desta vez lugar para oquestras e devaneios mais experimentais.
Mais uma vez o piano tem um importante papel, mas a banda de Julie Kiss vai agora mais longe e os teclados pedem auxílio a umas guitarras mais pacíficas
e a um saxofone cujo rouquidão como é tocado arrepia.
O que marca este segundo registo de originais, é que se por um lado esta sonoridade mais classy se impõe ainda mais, por outro lado, a sua faceta
mais pesada ficou...mesmo mais pesada. O papel brilhante das guitarras com o seu papel mais progressivo e o trabalho de bateria cheio de força fazem
com que a voz de Julie Kiss se tenha tornado ainda mais versátil.
Amantes de metal progressivo ou de "metal-sem-palas-nos olhos", dêm uma ouvida a este.
E see 2008 começa com um disco assim, não quero imaginar o que mais estará para vir.
Sem medo, este é um 10/10.
Obrigatórias - The Lie e Asylum



