Este é a ultima obra de Richard Lederer, o mentor dos Summoning, o cd já data do ano passado, mas só agora o estou a ouvir...
Para muitos um album deste tipo pode não significar muito, mas aqui fica aqui uma critica que espelha na perfeição o que se passa ao longo de todo o disco...
"Die Verbannten Kinder Evas (“Os Filhos Exilados de Eva”) é um desses projectos, já com dez anos de existência, mas ainda praticamente desconhecido. O seu mentor não é outro que não o Austríaco Richard Lederer, também conhecido por “Protector”, mestre por detrás dos imponentes Summoning.
Mas aqui entramos noutro mundo, um mundo que dificilmente pode ser chamado de metal, e que entra claramente no campo da música neoclássica, com sonoridades darkwave e de música de câmara, muito como o que se esperaria de Dargaard, Gothica ou Autumn Tears.
A seu lado, Richard Lederer tem a deslumbrante Christina Kroustali “Lady of Carnage”, que substitui na voz Tanya Borski e a irmã do próprio Protector, Júlia Lederer.
Christina é de nacionalidade grega e uma cantora lírica maravilhosa, com uma técnica impressionante e uma emotividade que não lhe fica atrás.
Com uma amplitude de voz muito boa, a adição de Christina permitiu a Richard apostar claramente em músicas com várias vozes, graças à capacidade da jovem em cantar em vários registos. Diga-se de passagem que foi a jovem quem abordou a banda, por ser fã do projecto, pelo
que genuinidade não lhe falta.
Assim, sete anos depois de In Darkness Let Me Dwell nasceu
Dusk and Void Became Alive, uma obra-prima dentro do género, lentamente progredindo com o passar das horas na sua melancolia e beleza obscura, carregando-nos no embalar das notas suaves e dos coros emocionais e grandiosos.
E se Christina fosse a única voz, já seria suficiente, mas não faltam os coros dominicanos masculinos, que graças a uma produção inteligente surgem sempre com ecos, invocando o interior de catedrais e grandes câmaras e quando se juntam a Christina, é todo um novo mundo de prazer sonoro. A jovem tem verdadeiramente uma voz angelical de bradar aos céus.
É uma peça melancólica, sem dúvida, mas o magnífico trabalho das teclas e dos tambores, muito reminiscente de Summoning conferem-lhe uma atmosfera épica e sumptuosa, entre os hinos de guerra e as lamentações.
È um pouco Dargaard sim, mas é também um pouco de Summoning, e as instrumentalizações medievais fariam inveja a qualquer coisa composta para o Senhor dos Anéis.
Também estas instrumentalizações parecem sempre rodeadas de algum eco, invocando ou grandiosas catedrais ou as amplas paisagens de
devastação e beleza perdida que o álbum invoca de um modo que vos rodeia e ao mesmo tempo liberta.
Tenham tempo para ouvir, deixem-se absorver por este trabalho indescritível que mostra que Protector está num claro momento de genialidade pura. Não sou capaz de vos destacar uma única música: apenas fechem os olhos e ouçam-no do início ao fim, e quando arranjarem o original, ouçam-no e olhem o grafismo soturno, tenebroso e
preparem-se para se deixarem dominar. Os tambores épicos de
”Winter’s Night”, o demolidor canto gregoriano de ”Unquiet Thoughts”, o maravilhoso trabalho de piano em ”Cease to Breathe”… Tranquilidade e esoterismo são duas palavras chave neste álbum que sai claramente da alma de Protector e por isso mesmo vos vai entrar na vossa alma e por lá ficar, vai agarrar-vos e encher-vos a cara de lágrimas.
Confesso que ao longo de toda a audição os meus pêlos eriçaram-se e a espinha esteve constantemente arrepiada e raios me partam se não dei por mim de lágrimas nos olhos sem razão nenhuma: o álbum não me entristeceu, não me deu razão alguma para lamentar o que quer que seja,
mas tocou-me de tal modo que as lágrimas vertiam involuntariamente apenas pela força emocional de música atrás de música, de coro atrás de coro, de piano atrás de piano. Tamanha carga e libertação emocional não têm preço e no fim, ”Catharsis” é uma música cujo título não poderia ser mais adequado: toda a vossa alma está à flor da pele, tocada, apaixonada e limpa.
Em termos de letras, é preciso lê-las para compreender a sua poesia e a sua qualidade. Creditadas a Grigori Petrenko e John Dowland, fico em extase por se tratar do mesmo John Dowland, compositor barroco do século XVII conhecido pela sua música soturna e emocional. Todas as músicas do álbum creditadas a Dowland são de facto poemas de 400 anos. Por exemplo, a letra de "Mistrust" é o poema "My thoughts are wingd'd with hopes" Ouvindo este álbum repetidamente, não acredito que o propósito de Protector fosse outro senão este mesmo: puxar-vos o coração até à garganta, extrair todo o sentimento da vossa alma e deixar-vos de rastos no momento em que o álbum acabar. E conseguiu-o, oh como o conseguiu, e não sendo capaz de vos explicar o quanto ansiei por este álbum, ouvindo-o uma e outra vez, não sei agora explicar o que me faz a cada audição. "
Ai como gostava de ter sido eu a escrever esta critica...
Para quem ouvir o álbum gostaria que comentassem qualquer coisa... nem precisam de ler esta critica tão extensiva, mas que ao mesmo tempo reflete bem tudo aquilo que o disco me transmitiu a mim e a quem fez esta magnifica critica...
Cumprimentos a todos...

20ª Edição