
Stijn van Cauter, é um artista que talvez seja mais conhecido pelos seus muitos, longos e variados projectos de música, que recorrem regularmente ao rótulo “doom” para ser descritos, muito embora contenham todos diferentes “nuances” que lhe permitam ser descritos também como projectos de “noise”, “ambient”, “drone”, “minimalistic”, “darkwave” et cetera. No meio de Beyond Black Void, Until Death Overtakes Me, Fall of the Grey-Winged One, The Ethereal, In the Mist, Organium, Forbidden Fields, Dreams of Dying Stars, I Dream No More, The Sad Sun e Tear Your Soul Apart (até falta o ar!), todos eles projectos a solo, Stijn foi capaz de participar num colectivo que ao contrário de todos os seus projectos anteriormente mencionados, promete vir a obter reconhecimento unânime e merecido. Wijlen Wij é um quarteto que para além de Stijn, conta também com Kostas Panagiotou, Kris Villez e Lawrence Van Haecke, membros de Pantheist (um colosso do funeral doom)e Solicide, ambas bandas em que Stijn já participou/participa.
Após esta “breve” introdução, passemos ao que realmente interessa, que é a música, elemento esse que em Wijlen Wij se aparece aos nossos ouvidos sob a forma de um funeral doom de qualidade inegável, capaz de fazer frente a titãs como Mournful Congregation, Worship, Tyranny ou Esoteric. Para além da dinâmica abordagem vocal, com grunhidos provenientes das profundezas dos oceanos, Kostas Panagiotou e Stijn van Cauter brindam-nos com uma performance vocal que passa ainda por cantos a fazer lembrar coros eclesiásticos, gritos mais estridentes e cortantes, ainda sobrando espaço para passagens quase faladas, a uma velocidade de fazer o ferro oxidar. Todavia o que mais se destaca neste álbum de estreia de com o mesmo nome da banda é mesmo o tom de guitarra, que banhado a distorção de nível industrial confere um ambiente sepulcral, mas ao nível do fundo do mar, remetendo-nos ao mesmo tempo para tempestades abismais, com ondas de proporções bíblicas que engolem cargueiros inteiros, trazendo-os para o local onde nos encontramos. De facto, Wijlen Wij é um cemitério marinho, local de morte por asfixia, onde embarcações inteiras jazem silenciosas, lentamente devoradas pela vegetação submarina e quando o órgão ou o piano decidem entrar em cena, a sensação de solidão e de abandono eterno adquirem níveis intoleráveis, que induzem o ouvinte ao desespero máximo.
Wijlen Wij pode não ter as brilhantes secções acústicas nem os momentos de grandeza épica de Mournful Congregation; pode também não possuir o dinamismo hipnótico presente em Esoteric; não tem de certeza também o ambiente opressivo e torturante de Wormphlegm; mas consegue sem dúvida criar uma ambiência muito própria que nos transporta para a fossa das Marianas e que nos mantém confinados por tempo indefinido, numa prisão de água salgada, onde a palavra luz não existe e onde parece não haver princípio nem fim. Ainda assim consegue tratar-se de um álbum muitíssimo variado, que aproveita o tema do funeral doom para se fazer acompanhar de vários pormenores interessantíssimos, como por exemplo riffs de guitarra a fazer lembrar um estilo de black metal mais depressivo e melancólico.Aconselhado principalmente aos fãs de funeral doom, mas também aos metaleiros em geral, que procuram uma experiência com os sintomas acima descritos.
PS: Penso que já não há muitas cópias do CD à venda, por isso quem estiver interessado, apresse-se a arranjar a sua, que está disponível no site da NULLL Records.
Site Oficial: http://wijlenwij.nulll-void.com/
Trapped in cold decaying flesh.
There is another world in here.
Another mind in control.
Trapped in dead withering flesh.
I should not be – but still am.
Trapped in this mental hell.
Aware of the emptiness.
Aware of the cold.
Touching the everlasting...