Ora bem:
Começando pelas bandas:
Katabatic... hmmm... não quero soar demasiado crítico. Mas o melhor que posso dizer é que não me convenceram e têm MUITO caminho a percorrer. Aparentemente, há a percepção, bastante errada, de que este estilo de post rock simplista que cada vez mais se ameaça tornar na "next big thing", é simples de fazer. Não é, e tanto não é que achei a actuação da banda ensossa, um bocado a arrastar e a marcar passo, se não na execução, pelo menos na composição. Aquilo que torna este género agradável de ouvir é precisamente a capacidade de criar crescendos, de haver um sentido claro e lógico na evolução da música, e nestes meninos, ouvi tudo menos isso, soava a uma amálgama de ideias amontoadas sem grande sentido de fluidez. Tinham momentos bons, sem duvida, o riff de baixo na terceira faixa fez-me verdadeiramente virar a cabeça, mas não havia verdadeiramente um sentido de coesão na música. Projecto a precisar de amadurar.
Bem maduros estão já os Process of Guilt. A critica que fiz aos katabatic sem duvida que não se aplica, estão a tornar-se muito bons na arte de construir as composições. Se a Becoming Light do Renounce (que foi devastadora, por sinal) já tinha dado boas provas do talento destes senhores de do pouco fazer muito, as novas composições fizeram com que a ideia de assistir sentado se tornasse numa autentica tortura. Sei que não fui o único (não é verdade, menina Moontears?) Mas tive que me retirar para as alas e assistir de pé, e por conseguinte, dar azo ao tremendissimo headbanging que aqueles riffs pediam. Grande destaque para o Gonçalo na bateria, sem nenhum desprimor para o resto da banda, a atitude dele a tocar é tremenda, dá muita força à banda, e como "baixista na reforma" posso dizer que bateristas assim são o "sonho" de qualquer baixista. Mas toda a banda esteve irrepreensível, e o rugido do Hugo continua a fazer tremer paredes. E PA à menina ou não, achei o som cristalino.
Quanto aos A Storm of Light... história engraçada. Convidaram-me para o concerto assim meio de repente, e "venderam-mo" por lá irem tocar P.O.G. Relativamente a estes senhores, cabeças de cartaz, não sabia absolutamente nada, e assim, assisti ao concerto com a mentalidade de quem estava a assistir a algo completamente novo. E entre comentários mentais sobre Titanic Metal, por causa das imagens de naufrágio sucessivas que passavam na parede do fundo, a outra ideia que me ia ficando era, "entre as projecções cinematográficas e os riffs muito Enemy of the Sun, eu se fosse os Neurosis, processava estes meninos por plágio". Isto não sabendo eu que um dos elementos *é* de Neurosis, e que outro já passou por Swans. Deram um bom espectáculo, Mais por virtude da qualidade monolítica da música aliada às projecções, mas entre o rabinho na cadeira, e a natureza repetitiva da musica tocaram, creio eu, tempo a mais.
Nota final para o espaço. Nem menciono a afronta que é pedir-se uma imperial e darem uma sagres Zero, mas há realmente algo que se perde num formato destes para um concerto de Metal. Normalmente, um concerto de Metal tem o seu quê de evento social, um factor de convívio que foi ali completamente cortado pela raíz. Vi imensas caras conhecida, mas não cheguei a trocar mais que um "olá, tudo bem", com meia dúzia.
E não, senhor Demoniac, não me esqueci da tal cerveja. Mas num sitio a servir sagres zero, dificilmente era a altura para a cobrar...
